Mesmo com a crise energética e as constantes altas nos juros, o setor produtivo brasileiro terá condições de manter o emprego de grande parte de seus funcionários, segundo avaliou ontem a Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o boletim Relações do Trabalho, as negociações trabalhistas coletivas do segundo semestre devem repetir o quadro de 1999, quando os sindicatos preferiram manter o nível de emprego a batalhar por aumentos reais de salários.
''O momento é de incertezas e os sindicatos dos trabalhadores vão tentar manter os empregos de qualquer jeito'', disse o analista de estudos e desenvolvimento da Unidade de Relações do Trabalho da CNI, Marcos Medeiros. De acordo com ele, os recentes ataques terroristas aos Estados Unidos também podem contribuir com o quadro de insegurança do setor produtivo no segundo semestre desse ano.
O documento lembra que as negociações acontecem ao longo desse terceiro trimestre, em um cenário de retração da produção e estagnação do número de postos de trabalho. A entidade recomenda que, nessa conjuntura, os acordos entre empresas e trabalhadores sejam tão flexíveis quanto possível, ''de modo a permitir uma acomodação mais rápida das empresas às mudanças conjunturais e minimizar os impactos negativos sobre o nível de emprego''.
O setor também voltou a lamentar a solução encontrada pelo governo para o pagamento das correções do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Isso porque, em caso de demissão sem justa causa, a contribuição de 10% sobre o saldo do FGTS para fins rescisórios implicou aumento de 25% da multa que deve ser paga pelo empregador.
''As demissões não interessam nem aos trabalhadores nem às empresas'', afirmou o boletim. Mesmo que por enquanto não ocorram demissões, os empregadores estão inseguros para realizar novas contratações. ''Se não há aumento na produção, porque a indústria teria que contratar mais gente?'', argumentou Medeiros.

mockup