A instabilidade econômica, aliada à crise de energia elétrica, vai atingir em cheio o setor industrial no Brasil. A indústria deve crescer no máximo 1% este ano e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) não afasta sequer a possibilidade de que o ritmo de expansão fique estagnado.
De acordo com o Informe Conjuntural divulgado ontem pela CNI, pelo menos cinco fatores explicam a reversão das expectativas para o setor: a crise energética, o aumento das taxas de juros, a instabilidade da economia argentina, o fraco desempenho da balança comercial e a desvalorização do real frente ao dólar. E todos esses fatores levam a crer que haverá ajustes e mudanças no nível da atividade industrial para o segundo semestre deste ano.
Se por um lado a expectativa do crescimento industrial para o ano é pessimista, em maio a atividade do setor registrou uma discreta expansão. A indústria vendeu 3,8% a mais em maio do que no mês de abril. Também cresceram os indicadores referentes a pessoal empregado (0,13%) e a horas trabalhadas na produção (1,29%). A CNI registrou, porém, queda de 1% nos salários pagos pelo setor. O índice de utilização da capacidade instalada atingiu 81,4%, mesmo nível de abril deste ano.
Os resultados são mais expressivos quando a comparação é feita com maio de 2000. Neste caso, houve elevação nos quatro indicadores de desempenho da indústria. As vendas reais subiram 17,54%, o total de pessoal empregado, 1,8%, as horas trabalhadas na produção cresceram 4,14% e os salário líquidos, 4,24%.
A variação acumulada nos cinco primeiros meses deste ano é positiva em 15,3% no caso das vendas reais, 2,21% no caso do pessoal empregado, 4,12% no total de horas trabalhadas na indústria e 5,63% em relação aos salários pagos pelo setor.
O bom desempenho do setor industrial em maio, no entanto, não deve se repetir em junho. Isso porque, segundo a CNI, a deterioração da economia brasileira contribuiu para a queda nas expectativas do crescimento das indústrias, com desaceleração da produção. O impacto potencial sobre a produção é elevado, afirmaram os técnicos da confederação, ao lembrar que o recuo nas atividades segue as exigências do racionamento de energia.
Com a mudança no quadro econômico brasileiro, o desempenho da economia este ano será menor do que o esperado no início do ano. De acordo com o último relatório de inflação divulgado pelo Banco Central, a expectativa do governo é de que o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2001 fique em 2,8% ante os 4% previstos para o ano.

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