CNI prevê expansão de 4,5% no setor em 2004
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2003
Agência Estado 
Brasília - A produção industrial deverá crescer 4,5% em 2004, previu ontem a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar do indicador positivo, o crescimento industrial não se dará via aumento de novos investimentos. A capacidade produtiva atual é considerada pelos empresários da indústria suficiente para atender à demanda no próximo ano. Pesquisa feita pela entidade mostrou que a esperada recuperação do nível de investimento, considerada fundamental pelo governo para um crescimento sustentado do País nos próximos anos, não deverá ocorrer no início de 2004. Ficará para o segundo semestre.
No documento ''Economia Brasileira - Desempenho e Perspectivas'', divulgado ontem, a CNI afirma que incertezas em relação à evolução da demanda e aos rumos da reforma tributária recomendam uma atitude cautelosa com relação ao investimento. A reforma tributária foi considerada a maior frustração em 2003 dos empresários do setor, que advertiram que há risco dela não ser completada nos próximos anos.
O documento alerta também para a necessidade de avanços na agenda de reformas microeconômicas, cuja ausência pode ser transformar num ''contrangimento'' para a retomada dos investimentos, ''variável chave'' para a economia em 2004. ''Se tivermos uma agenda microeconômica, será possível passar por um processo de crescimento que vá além de 2004'', disse o presidente da CNI, deputado Armando Monteiro Neto.
A CNI listou uma agenda microeconômica que deveria ter prioridade: redução do spread bancário e do custo do capital; aumento da eficiência do gasto público e elevação da produtividade do setor público para permitir a redução da carga tributária; definição dos marcos regulatórios para a superação das incertezas que limitam o investimento na área de infra-estrutura; modernização da estrutura tributária; diminuição do custo do investimento e avanços nas reformas da legislação trabalhista e da organização sindical.
A CNI projeta um crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2004, que será liderado pelo setor industrial com a reativação da demanda e recuperação da renda real do trabalhador. A expectativa é de um crescimento de 3% do nível de emprego industrial em 2004. ''Esse será um aumento significativo'', comentou Monteiro Neto. A previsão é de que haja uma queda da taxa de desemprego de 12,4%, em 2003, para 11,1% no próximo ano.
No campo da política monetária, a expectativa é de uma taxa de juros nominal média de 14,5% ao ano em 2004, ante 23,3% em 2003. A CNI também projeta uma taxa real média de juros de 8% no ano que vem.
Para dar continuidade a essa política de flexibilização, o presidente da CNI aposta numa queda de dois pontos porcentuais na taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina hoje.


