O déficit da balança comercial (exportações menos importações) brasileira deverá fechar este ano em US$ 11 bilhões, o dobro do resultado do ano passado, segundo estimativa do Departamento de Comércio Exterior da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Com isso, o déficit em conta corrente (inclui balança comercial, juros e outros pagamentos) do País deverá saltar até o final do ano dos 4,19% do PIB (Produto Interno Bruto) registrados no primeiro semestre para 4,5%, de acordo com a CNI.
De acordo com a economista Maria do Perpétuo Socorro Lima, coordenadora do boletim de comércio exterior da CNI, mesmo com o déficit se mantendo em alta, os indicadores mostram que está afastado o risco de uma explosão das importações. Segundo as previsões mais pessimistas, essa explosão levaria o déficit para US$ 15 bilhões este ano.
Segundo as previsões que constam do boletim da CNI de junho, divulgado ontem, as exportações do Brasil somarão US$ 51 bilhões e as importações, US$ 62 bilhões este ano. O primeiro inibidor da disparada das importações, segundo a análise da economista Maria do Socorro, é a própria retração da atividade econômica, provocada pelo excessivo endividamento das famílias. Os consumidores teriam comprado para pagar em até 12 meses e terão boa parte das suas rendas comprometidas com as prestações até o final do ano.
A favor do crescimento do déficit comercial, de acordo com a CNI, está a proximidade do fim da comercialização da safra agrícola, especialmente do café e da soja. Com preços de mercado favoráveis, os produtos agrícolas serviram para aumentar as exportações nos últimos meses, reduzindo o déficit comercial. De acordo com Maria do Socorro Lima, esse efeito deixa de existir a partir de agosto, fazendo com que o déficit mensal volte a crescer. A análise dos técnicos da CNI mostra que o déficit comercial brasileiro fechou os 12 meses terminados em junho deste ano em US$ 9,9 bilhões. No período, houve um crescimento de 25,7% das importações, enquanto as exportações cresceram apenas 3,5%.
Sobre o elevado déficit em conta corrente previsto para este ano, Maria do Socorro Lima disse que o Brasil não terá problema para financiá-lo, mas manifestou preocupação quanto à permanência da sua trajetória crescente. Segundo ela, há consenso entre os economistas que não há condições de se mexer na taxa de câmbio, favorecendo as exportações, enquanto as contas do governo não estiverem acertadas.

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