CNI prevê 700 mil novos empregos no ano Monica Ciarelli Agência Estado Do Rio de Janeiro Arquivo Folha Setor industrial volta a empregar após longo período de demissões A esperada recuperação do emprego este ano vai atingir principalmente o setor industrial, que volta a empregar após um longo período de demissões na década de 90. Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a reação será liderada pelos setores têxtil e de vestuário, que perderam cerca de 50% de seus postos de trabalho desde o início do Real. O cenário promissor levou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a prever a criação de 550 mil a 700 mil empregos na indústria, ante os cerca de 400 mil de 1999. ‘‘É uma estimativa até conservadora para a expansão de 4% esperada para o Produto Interno Bruto (PIB)’’, afirmou o economista Lauro Ramos, do Ipea, órgão ligado o Ministério do Orçamento e Gestão. A reação dos setores têxtil e de vestuário é explicada pela economista Simone Saisse Lopes, da CNI, como uma adaptação da indústria nacional à concorrência externa. ‘‘Estas atividades passaram por reestruturação após a abertura comercial e ganharam mais competitividade com a desvalorização cambial do ano passado’’, diz. A pesquisa constata que os setores mais prejudicados em 1999 foram fumo, mecânica, metalurgia, material elétrico e de comunicação, material de transporte e madeira, com recuo superior a 10% no número de empregos. O número de funcionários encolheu até em setores que conseguiram ampliar a produção. A indústria de papel e papelão cresceu 4,5%, enquanto os postos de trabalho encolheram 6,6% no ano passado. Além da busca por maior produtividade, a economista pondera que a queda no emprego é reflexo do clima de incerteza por conta da mudança cambial no ano passado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam crescimento contínuo do emprego industrial há três meses. O resultado é considerado positivo pela responsável pela pesquisa, Shyrlene Ramos de Souza, por ter efeitos sobre outros setores, como o comércio. ‘‘Um aumento na produção industrial geralmente vem acompanhado de incremento nas vendas do comércio.’’ A recuperação do emprego industrial deve trazer a reboque um crescimento também do percentual de trabalhadores com carteira assinada. A tendência de que o setor informal continue a absorver a maior parte dos novos empregos deve se manter, embora o Ipea trabalhe com uma perspectiva de números mais equilibrados este ano. Mas a melhora no emprego industrial não deve se traduzir em redução na taxa de desemprego em curto prazo. Na avaliação de analistas, o indicador deve se manter na casa dos 7% pelos próximos meses.