A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vai rever em julho a sua previsão do crescimento do PIB e da atividade industrial para este ano por conta do impacto do racionamento de energia, assim como da alta do dólar e do câmbio. ‘‘Ainda é cedo para arriscar um número, mas é certo que o crescimento será menor do que previmos no ano passado’’, afirmou Flávio Castelo Branco, coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI.
Em dezembro do ano passado, a expectativa dos técnicos da CNI era de que o PIB iria crescer 4% este ano, a produção industrial 6% e o emprego industrial avançaria mais do que 1%. Nos próximos dias, a CNI irá divulgar uma pesquisa com 3.800 empresas do País para avaliar o impacto do racionamento de energia. Os questionários foram enviados na semana passada e a expectativa é que será possível, por essa amostragem, ter uma sinalização do impacto da crise energética no crescimento da economia.
‘‘Energia é um insumo muito importante para o setor industrial. Será como se as empresas tiverem descido alguns degraus da escada. O problema é saber para que patamar elas voltarão depois da crise’’, disse Flávio Castelo Branco. Ele explicou que os 20% de média de meta de racionamento sobre maio, junho e julho de 2000 terão um efeito maior para as indústrias porque, na média, o segmento vinha de um crescimento de 7% até abril deste ano. ‘‘Como a base é maior, será como se, na média, o efeito da escassez de energia por unidade de produto fique acima de 25%’’, calculou o coordenador da unidade de política econômica da CNI.
Castelo Branco prevê que no terceiro trimestre deste ano a atividade industrial terá certamente um desaquecimento, tanto se for comparado com o segundo semestre assim como na comparação ao terceiro trimestre do ano passado, levando em conta o índice dessazonalisado.
Ontem, foram divulgados os Indicadores Industriais da CNI, mostrando que a atividade industrial no País caiu 0,13% em abril deste ano comparado com o mês de março. Essa queda do nível de atividade corresponde ao indicador dessazonalizado, que não leva em conta o impacto de efeitos sazonais, como a proximidade de festas, a exemplo do Natal. Se for considerado o índice cheio, a queda do ritmo das indústrias em abril, comparado com março foi bem maior, de 6,45%.
Isso já era esperado, segundo Castelo Branco, porque em março, o indicador mostrava um forte aquecimento do ritmo industrial. No acumulado do ano, porém, o faturamento industrial ainda é muito expressivo, de 14,72%. De acordo com a pesquisa da CNI, houve crescimento na oferta de emprego em abril comparado a março de 0,16% e o total dos salários reais pagos em abril registrou crescimento de 1,58%. A atividade industrial em abril comparado com abril do ano passado cresceu 17,43%.
As recentes pressões sobre a economia – como a alta do câmbio e do juros, além do efeito do racionamento da energia – tiveram pouca influência no resultado da indústria em abril. O coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI explicou que os impactos mais significativos desses choques ainda não foram captados pela pesquisa. A expectativa dos técnicos da CNI é que os reflexos dessas pressões do câmbio e do juros aparecerá nos indicadores a partir de maio e junho.
‘‘Os juros encarecem os financiamentos e o câmbio impacta na importação de insumos e em outros pontos da cadeia produtiva’’, lembrou Castelo Branco. Outro fator de pressão importante que ainda não foi contabilizado é o impacto do racionamento de energia elétrica no nível de crescimento econômico.

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