Bra­sí­lia - A Con­fe­de­ra­ção Na­cio­nal da In­dús­tria (CNI) já ava­lia a pos­si­bi­li­da­de de que o Bra­sil re­gis­tre uma re­ces­são téc­ni­ca - ­dois tri­mes­tres se­gui­dos de que­da na ati­vi­da­de eco­nô­mi­ca- de­vi­do aos efei­tos da cri­se fi­nan­cei­ra.
  Em de­zem­bro, a en­ti­da­de pre­via uma de­sa­ce­le­ra­ção de 1,5% no PIB (Pro­du­to In­ter­no Bru­to, so­ma das ri­que­zas pro­du­zi­das no pe­río­do) do úl­ti­mo tri­mes­tre de 2008. Na épo­ca, no en­tan­to, não ­eram es­pe­ra­dos re­sul­ta­dos tão ­ruins co­mo os di­vul­ga­dos ho­je em re­la­ção ao de­sem­pe­nho da in­dús­tria en­tre ou­tu­bro e de­zem­bro
de 2008.
  De acor­do com a CNI, o fa­tu­ra­men­to da in­dús­tria bra­si­lei­ra ­caiu 16,2% no úl­ti­mo tri­mes­tre de 2008. No mes­mo pe­río­do, as ho­ras tra­ba­lha­das re­cua­ram 19,2% e o em­pre­go ­caiu 3,4%.
  Pa­ra o iní­cio de 2009, a con­fe­de­ra­ção es­pe­ra que os re­sul­ta­dos não se­jam tão ­ruins, mas os nú­me­ros ain­da de­vem ser ne­ga­ti­vos. Ele des­ta­cou co­mo preo­cu­pan­te tam­bém o da­do da pro­du­ção in­dus­trial di­vul­ga­da ­mais ce­do pe­lo IB­GE, que mos­tra um re­cuo de qua­se 20% em ­três me­ses.
  ‘‘O úl­ti­mo tri­mes­tre do ano vai ser ne­ga­ti­vo. A gen­te não sa­be quan­to. As di­fi­cul­da­des do pri­mei­ro tri­mes­tre po­dem le­var a ca­rac­te­ri­zar uma ­reces-são’’, dis­se o ge­ren­te-exe­cu­ti­vo da Uni­da­de de Po­lí­ti­ca Eco­nô­mi­ca da CNI, Flá­vio Cas­te­lo Bran­co.
Crise
  A pro­du­ção in­dus­trial re­cuou em de­zem­bro pa­ra ní­veis de qua­tro ­anos ­atrás, cain­do 12,4% em re­la­ção a no­vem­bro de 2008 e 14,5% em re­la­ção a de­zem­bro de 2008, as maio­res que­das des­de 1991. No acu­mu­la­do do ano de 2008, a pro­du­ção na in­dús­tria cres­ceu 3,1%.
  Eco­no­mis­tas, as­sus­ta­dos com o re­cuo na pro­du­ção não ape­nas de au­to­mó­veis, mas tam­bém de ­bens de ca­pi­tal, pio­ram ­suas ex­pec­ta­ti­vas so­bre o Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB) do quar­to tri­mes­tre e de to­do o ano pas­sa­do e ele­va­ram as apos­tas de um no­vo cor­te de um pon­to por­cen­tual nos ju­ros bá­si­cos em 11 de mar­ço, um ­rdia ­após o anún­cio do PIB do ano pas­sa­do. ‘‘Não fo­ram só os au­to­mó­veis, hou­ve que­da ge­ne­ra­li­za­da em to­dos os se­to­res, e me im­pres­sio­nou um pou­co o da­do da pro­du­ção de ­bens de ­capital’’, dis­se a eco­no­mis­ta do Uni­ban­co Gio­van­na Roc­ca.
  Se­gun­do a eco­no­mis­ta da coor­de­na­ção de in­dús­tria do Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca (IB­GE), Isa­bel­la Nu­nes, a que­da na pro­du­ção in­dus­trial em de­zem­bro fez o se­tor re­tor­nar ao pa­ta­mar de pro­du­ção de mar­ço de 2004. Se­gun­do ela, os re­cuos fo­ram ge­ne­ra­li­za­dos, abran­gen­do 25 de 27 se­to­res na com­pa­ra­ção com no­vem­bro e 23 de 27 se­to­res em re­la­ção a de­zem­bro de 2007. Foi o ­maior nú­me­ro de seg­men­tos em que­da já re­gis­tra­do na pes­qui­sa, nas ­duas ba­ses de com­pa­ra­ção. ‘‘Há um qua­dro ge­ne­ra­li­za­do de que­da, co­mo re­fle­xo do agra­va­men­to da ­crise’’, dis­se Isa­bel­la.

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