CNI já fala em recessão técnica
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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2009
Eduardo Cucolo<br> Com Agências 
Brasília - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já avalia a possibilidade de que o Brasil registre uma recessão técnica - dois trimestres seguidos de queda na atividade econômica- devido aos efeitos da crise financeira.
Em dezembro, a entidade previa uma desaceleração de 1,5% no PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no período) do último trimestre de 2008. Na época, no entanto, não eram esperados resultados tão ruins como os divulgados hoje em relação ao desempenho da indústria entre outubro e dezembro
de 2008.
De acordo com a CNI, o faturamento da indústria brasileira caiu 16,2% no último trimestre de 2008. No mesmo período, as horas trabalhadas recuaram 19,2% e o emprego caiu 3,4%.
Para o início de 2009, a confederação espera que os resultados não sejam tão ruins, mas os números ainda devem ser negativos. Ele destacou como preocupante também o dado da produção industrial divulgada mais cedo pelo IBGE, que mostra um recuo de quase 20% em três meses.
O último trimestre do ano vai ser negativo. A gente não sabe quanto. As dificuldades do primeiro trimestre podem levar a caracterizar uma reces-são, disse o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
Crise
A produção industrial recuou em dezembro para níveis de quatro anos atrás, caindo 12,4% em relação a novembro de 2008 e 14,5% em relação a dezembro de 2008, as maiores quedas desde 1991. No acumulado do ano de 2008, a produção na indústria cresceu 3,1%.
Economistas, assustados com o recuo na produção não apenas de automóveis, mas também de bens de capital, pioram suas expectativas sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre e de todo o ano passado e elevaram as apostas de um novo corte de um ponto porcentual nos juros básicos em 11 de março, um rdia após o anúncio do PIB do ano passado. Não foram só os automóveis, houve queda generalizada em todos os setores, e me impressionou um pouco o dado da produção de bens de capital, disse a economista do Unibanco Giovanna Rocca.
Segundo a economista da coordenação de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Isabella Nunes, a queda na produção industrial em dezembro fez o setor retornar ao patamar de produção de março de 2004. Segundo ela, os recuos foram generalizados, abrangendo 25 de 27 setores na comparação com novembro e 23 de 27 setores em relação a dezembro de 2007. Foi o maior número de segmentos em queda já registrado na pesquisa, nas duas bases de comparação. Há um quadro generalizado de queda, como reflexo do agravamento da crise, disse Isabella.


