Brasília - Empresários e trabalhadores estão se unindo para lutar contra a desindustrialização do País. Ontem, representantes da Confederação Nacional da Inústria (CNI), da Força Sindical e da Central Única dos trabalhadores (CUT) concederam entrevista conjunta em Brasília pedindo a eliminação dos incentivos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado por alguns estados.
''Essa questão está diretamente ligada à guerra fiscal e é dificultada ainda mais pela questão cambial. Estamos gerando empregos fora do País e desestimulando o empreendedorismo no Brasil', disse o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.
Na opinião dos empresários, a guerra fiscal e os problemas cambiais vêm acompanhados de práticas de competitividade desleais pelos outros países. ''O que estamos fazendo é uma coalização entre capital e trabalho pelo fim da guerra fiscal nos portos. Estamos preocupados com a desindustrialização e a perda da competitividade do nosso País'', disse o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Lopes.
Segundo o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, a rapidez com que a desindustrialização está ocorrendo no Brasil surpreende. ''O deficit de vários setores industriais está se ampliando e quebrando várias indústrias. Há setores que passaram de um superavit de US$ 600 milhões para um deficit de US$ 37 bilhões'', disse
O secretário da Fazenda do Paraná, Luiz Carlos Hauly, afirmou ser ''totalmente favorável'' ao fim dos incentivos fiscais para produtos importados. ''Estamos trabalhando essa questão junto ao Senado e o Sarney (José Sarney, presidente da Casa) disse que irá colocar em votação até o fim do mês a resolução que proíbe esses incentivos'', afirma.
Para ele, a pressão da CNI e dos trabalhadores pode agilizar o fim desta prática pelos Estados. ''Entendo que essa é uma das questões mais importantes a serem enfrentadas'', afirma o secretário. Hauly diz que, por ele, já teria acabado com os benefícios no Paraná. ''Mas se só nós fizermos isso, vamos perder investimentos. A decisão tem de ser para todo o País'', analisa.
A diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) vai se reunir hoje em Curitiba com empresários e também com trabalhadores. Segundo o presidente Edson Campagnolo, a preocupação com a desindustrialização do Brasil cresceu nos últimos meses e não estão descartados paralisações e protestos na indústria.
''Os trabalhadores e os sindicatos já perceberam que o desemprego e o achatamento salarial crescem devido à concorrência desleal dos demais países, principalmente China e Índia'', ressalta. Ele considera que o fim dos benefícios de ICMS sobre os importados não é suficiente para resolver a situação. ''Precisamos das reformas tributária e fiscal. Nosso custo está muito alto'', salienta. (Colaborou Nelson Bortolin)

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