A CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou ontem documento que culpa a suposta falta de iniciativa do governo pelo déficit da balança comercial. ‘‘O mau desempenho é reflexo da política governamental que vigorou até bem pouco tempo, caracterizada pela falta de iniciativa e de ações voltadas para a promoção da competitividade do setor produtivo e para a redução do desequilíbrio fiscal’’, diz o Informe Conjuntural da CNI relativo a outubro.
A entidade também condena, antecipadamente, a possível adoção de medidas recessivas para combater a alta das importações e, consequentemente, o déficit comercial. ‘‘Uma retomada do processo de aperto monetário e creditício, direcionado a um reequilíbrio do balanço comercial, traria sérios danos ao equilíbrio econômico-financeiro de empresas e famílias.’’
Para a CNI, a balança comercial está no vermelho porque faltaram ações para promover a competitividade do setor produtivo e para reduzir o desequilíbrio fiscal. De janeiro a setembro, as importações superaram as exportações em US$ 1,593 bilhão.
O documento compara o déficit do último trimestre à situação de deterioração do comércio exterior anterior a abril de 1995, época da crise do México, que motivou a adoção de medidas recessivas. A CNI afirma que, hoje, a balança comercial encontra-se negativa em um quadro da economia que, teoricamente, deveria provocar um resultado bem melhor.
O documento argumenta que o ritmo de crescimento da economia é inferior ao de 1995, que o câmbio sofreu desvalorização e que algumas tarifas de importação de bens de consumo estão mais altas. A CNI avalia que serão necessárias novas medidas. De antemão, a entidade critica medidas recessivas, como alta dos juros. ‘‘A opção por uma política de ‘stop-and-go’ seria equivocada’’, diz o documento. ‘‘Stop-and-go’’ é um jargão econômico para definir a política de alternar períodos de crescimento e de estagnação. Foi o que ocorreu em abril de 1995. O País vinha de um crescimento econômico, com déficit no comércio exterior.
A crise do México, que quebrou após sucessivos déficits comerciais, fez o governo pisar no freio. O juro foi elevado e o nível de atividade econômica caiu. Com isso, a balança comercial voltou a ser positiva, e o governo iniciou uma política de redução das taxas. Até agora, entretanto, o governo não se pronunciou oficialmente sobre a possibilidade de adotar novas medidas recessivas.

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