CNI constata retração e prevê Natal pobre
Dados divulgados ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) revelam que outubro foi um mês de retração total na indústria: as vendas tiveram seu pior desempenho desde março deste ano. Houve também queda no emprego e na massa salarial. Em comparação com setembro, outubro foi um mês em que as vendas caíram 2,16%, a massa salarial teve redução de 0,44%, e o emprego, de 0,10%.
A pesquisa da CNI se refere à indústria de transformação, que ''transforma'' matérias-primas em produtos acabados ou semi-acabados. Com isso, estão excluídos setores como petróleo, minério de ferro e construção civil.
Para a CNI, o Natal deverá ser pior que o de 2000, que foi considerado bom pela indústria. Na avaliação de Flávio Castelo Branco, coordenador de Política Econômica da CNI, a crise permanece até o final deste ano, e só em 2002 é aguardado um início de reação do setor.
''Ao final do ano, estamos praticamente com uma economia mais próxima da estagnação, com crescimento mais próximo de zero. Imagine um aluno que tira dez e zero. A média dele é cinco. O primeiro semestre é como se fosse o aluno nota dez, e o segundo semestre é o aluno nota zero'', comparou Castelo Branco.
Em outubro, a indústria teve a quinta queda consecutiva do emprego e a terceira queda consecutiva da massa salarial. Em setembro, a variação das vendas havia sido positiva (2,16%) em relação a agosto, mas foi anulada pela queda exatamente igual verificada em outubro.
Em comparação com outubro de 2000, a tendência de desaceleração do crescimento também se acentuou. Depois de 18 meses de variação positiva, o emprego teve queda de 0,09%. Por isso a variação, embora pequena, é significativa, pois revela não só a redução do crescimento, mas a queda real do emprego.
O uso da capacidade industrial instalada caiu 1,6%. Outros indicadores vêm mantendo variação positiva, como vendas (10,41%), horas trabalhadas (1,69%) e salário (0,17%). O acumulado do ano ainda se mantém no positivo, porque, como o primeiro semestre foi considerado muito bom, consegue segurar as taxas gerais de 2001: crescimento de 14,11% das vendas, de 1,47% no emprego e de 3,93% nos salários.
Castelo Branco afirma que a alta dos juros e do dólar, junto com a crise de energia, estão entre os principais responsáveis pela retração no setor, que acompanha a crise do país. A esses fatores se somam a crise da Argentina e o impacto dos atentados terroristas nos Estados Unidos. (AF)





