CNI condiciona desempenho da economia aos efeitos da crise
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quarta-feira, 17 de dezembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaUm bom negócioFernando Bezerra, presidente da CNI, acha que mesmo com os problemas da política econômica interna em decorrência da crise internacional, o Brasil continuará sendo uma atração para o capital estrangeiro em 1998O desempenho da economia brasileira em 1998 continuará fortemente dependendente dos rumos da crise financeira internacional liderada pelos países asiáticos. Com esse pano de fundo como cenário, a tendência é de que os primeiros meses do ano ainda sejam marcados pela recessão e desemprego. A avaliação consta em documento elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), intitulado Economia Brasileira: Desempenho e Perspectivas 1997/98, divulgado ontem.
No cenário traçado pelos economistas da CNI, a retração da economia será mais forte no primeiro semestre, quando deverá ocorrer queda maior no consumo, em função das reduções de financiamento e das altas taxas de juros. Com a normalização gradual do sistema financeiro internacional, a recuperação da atividade econômica deverá ocorrer a partir de julho. Contribuirão para essa recuperação a entrada da safra agrícola, o aumento das exportações e a queda gradual das taxas de juros, explicou o economista José Guilherme Reis, responsável pela elaboração do documento.
A projeção da CNI para o crescimento industrial em 1998 é moderada: uma taxa média entre zero a 1%. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a perspectiva é um pouco melhor - fruto da contribuição da agricultura da área de serviços -, alcançando uma taxa anual entre 1% e 2%. Não há dados específicos sobre o nível do emprego, mas a tendência de crescimento do desemprego é clara, afirmou o presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN). A inflação deverá fechar este ano em 4,5%, ficando entre 3% a 4% em 1998.
Para a balança comercial brasileira, que atravessou turbulências no decorrer deste ano, podendo fechar com um déficit em torno de US$ 9 bilhões, as pespectivas são melhores, em função do próprio desaquecimento da economia. A projeção dos economistas da CNI é a de que o déficit para 1998 seja de US$ 5 bilhões.
Mesmo com a margem de manobra reduzida para influenciar as variáveis da política interna, em decorrência da crise internacional, a CNI acredita que o Brasil continuará sendo uma atração para o capital estrangeiro em 1998. A estimativa é de que os investimentos fixos em capacidade produtiva cheguem a US$ 20 bilhões no próximo ano, o que significa uma taxa global de 17% (nível semelhante ao de 1997). Na avaliação dos economistas da CNI, o Brasil continua sendo um bom negócio.


