A redução das taxas de juros indicada pelo Banco Central nos leilões que fez ontem, descendo-as de 42,25% para 39,5% e dando indicações de 39% para hoje, foi excessivamente conservadora, segundo o coordenador adjunto da Unidade de Política Monetária da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castello Branco. ‘‘A febre caiu de 42 graus para 39 graus, mas ainda é febre’’, compara ele, para quem o governo já dispõe de um conjunto de fatores favoráveis que lhe permitiriam ser mais ousado na diminuição das taxas de juros.
De acordo com ele, com o sinal de que se nada de excepcional ocorrer as taxas baixarão 0,5% por dia, através dos leilões, o País chegará ao final do mês com juros de 35% ao ano e de cerca de 30% no final de 98. ‘‘Os consumidores, diante disso, vão se retrair e as empresas certamente ficarão inseguras em seus planos de investimentos, o que só faz agravar a retração na economia esperada para 99’’, resume.
A esperança de Castello é a de que, no momento em que o País fechar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo se sinta à vontade para fazer uma redução realmente significativa nos juros. ‘‘Caso contrário, estará dando um tiro no próprio ajuste fiscal que está tentando fazer.’
Ele diz que esta redução mais drástica tanto pode se dar em uma reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom), como informalmente, nos leilões. Castello acha que uma reunião extraordinária do Copom daria maior credibilidade à disposição do governo em manter os juros em queda, ao passo que os leilões deixariam ainda muita insegurança no ar, pois, afinal, neles também se pode elevar as taxas.

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