A pesquisa Indicadores Industriais referente ao mês de agosto, divulgada ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), mostra que a atividade industrial permaneceu em queda no mês. Com a exceção das vendas reais, que cresceram 1,5%, todas as outras variáveis pesquisadas apresentaram queda em agosto, quando comparadas com o mês anterior.
O número de trabalhadores empregados caiu 0,42%, as horas trabalhadas na produção tiveram uma redução de 0,16% e o total dos salários fixos reais caiu 1,94%. Mesmo no caso das vendas reais, ainda que se verifique um pequeno aumento em agosto (1,95%), esse indicador fica negativo depois de ser feito o ajuste sazonal (-2,22%).
Como esse índice de sazonalidade é ligeiramente inferior ao de dezembro do ano passado (-2,09%), os economistas da CNI acreditam que a recuperação acorrida nos primeiros meses do ano foi completamente anulada pela redução das vendas que vem ocorrendo desde maio deste ano.
O resultado dessazonalizado das vendas reais (-2,22%) ainda não reflete as medidas restritivas ao consumo, após a elevação das taxas de juros. Sem a dessazonalização, as vendas reais tiveram um aumento de 1,5% em agosto. Segundo dados divulgados pela CNI, 7 entre 12 Estados pesquisados informaram aumentos mensais, sendo que Goiás, Ceará, Amazonas, Minas Gerais e Pernambuco mostraram variações reais acima da média nacional.
Em relação a agosto do ano passado, o indicador de vendas para a indústria mostra redução de 2,55%. A taxa acumulada no ano apresenta uma redução de 0,43%.
De acordo com a pesquisa da CNI, somente os Estados do Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul apresentaram aumento na taxa de emprego. A CNI realiza pesquisa em 12 Estados. No mês de agosto, o nível geral de pessoas empregadas caiu 0,42%.
A expectativa de que a recuperação da economia aconteceria no segundo semestre deste ano está frustrada. A afirmação foi feita ontem pelo coordenador-adjunto da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, que divulgou ontem a pesquisa.
Segundo ele, a causa da frustração é associada ao desemprego que permanece elevado e à diminuição do ritmo das exportações. A previsão da CNI é que as vendas ao exterior diminuam 1,2% neste ano em relação a 97.

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