As transformações registradas no setor industrial em função da globalização da economia, associadas à falta de flexibilidade das relações de trabalho no Brasil, estão se refletindo diretamente no padrão de emprego das indústrias do País: 1 milhão de empregos industriais foram eliminados entre 1989 e 1996, enquanto 85% dos novos postos de trabalho criados nos últimos quatro anos foram na informalidade, segundo estudo divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O estudo elaborado pela assessoria econômica da entidade, intitulado ‘‘Emprego na Indústria - Evolução Recente e uma Agenda de Mudanças’’, defende a retomada do crescimento da economia como elemento indispensável na geração de novos empregos e prega mudanças radicais na legislação trabalhista. ‘‘O mundo desenvolvido reduz o emprego e intensifica as novas modalidades de trabalho: tempo parcial, subcontratação, terceirização, horário flexível, trabalho à distância, teletrabalho’’, destaca o documento.
O economista Guilherme de Almeida Reis, chefe da Assessoria Econômica da CNI e coordenador do estudo, explicou que a maior parte dos empregos perdidos na indústria ocorreu em função de fatores determinados. Entre estes está o aumento da taxa de desemprego aberto, que passou de 3,35% em 89 para 5,42% em 96; a redução do mercado formal de trabalho, que era de 53,62% e caiu para 46,64% no período; e ao aumento da participação do setor de serviços no total de empregos.
Com relação ao setor de serviços, Reis ressaltou que a taxa de crescimento correspondeu exatamente a redução dos empregos no setor industrial de 89 a 96, cerca de 4%. O emprego industrial caiu de 22,11% para 18,20% nesse período, enquanto o emprego na área de serviços e comércio subiu de 50,34% para 54,97%.
Reis alertou, no entanto, que a absorção dos empregos da indústria pela área de serviços tem um limite. ‘‘Até agora, isso foi possível. A tendência, como já se vê, é de crescimento do desemprego aberto, se não forem tomadas medidas para criar novos empregos’’, observou.
Previsões O documento da CNI traz previsões sombrias para o emprego na indústria. ‘‘Não parece haver dúvidas de que a queda no emprego industrial veio para ficar, sendo lícito esperar até um acirramento dessa tendência daqui para a frente’’, adverte Reis. Ele lembra que a abertura comercial forçou as empresas a buscar mais competitividade para enfrentar a concorrência externa. Com a atualização tecnológica da indústria, houve o enxugamento de pessoal que resultou em uma redução do nivel de emprego no setor de 33,9% entre 1989 e 1996.

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