As taxas médias de desemprego mensal no primeiro semestre deste ano devem subir para até 12%, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Projeção feita pela economista Simone Saisse Lopes para o Boletim de Relações de Trabalho da entidade, na última semana de dezembro, prevê que a taxa pulará para inéditos dois dígitos nos primeiros três meses de 1999. A taxa média esperada para o ano passado (os dados ainda estão sendo fechados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é de 7,6%.
A desvalorização cambial desta semana tornou ainda mais pessimista a expectativa da CNI. Mas, segundo Simone, para que um novo cenário seja traçado será necessário pelo menos um mês de observação do comportamento da economia. ‘‘Os negócios devem ficar paralisados até que haja alguma luz sobre a trajetória de juros’’, explica. De qualquer forma, ela arrisca uma nova previsão para a inflação do ano, que em sua estimativa anterior seria bem próxima a zero e agora já se situa entre 2% e 3%.
A crise brasileira, no entanto, poderá acelerar a reação da economia no segundo semestre, o que, somado a fatores sazonais do último trimestre do ano, com oferta de empregos temporários, poderá controlar um pouco mais o índice de desocupação, mantendo a taxa média de desemprego anual em torno de 9%. ‘‘É uma característica da nossa economia a recuperação rápida em momentos mais críticos, durante os quais se abrem oportunidades para mudanças radicais’’, comentou, citando como exemplo a aprovação pelo Congresso, na última quarta-feira, das medidas provisórias do pacote enviado pelo governo.
Do mesmo modo, ela acredita que agora haja avanço no plano de ajuste fiscal para permitir a queda da taxa de juros a um patamar mais viável. Mesmo assim, a economista, que já foi analista do banco de investimentos Icatu e hoje integra a equipe da Unidade de Economia e Estatística da CNI, prevê que o País terá de amargar um ano até recuperar a credibilidade dos investidores internacionais. As perspectivas para as empresas pioraram no curto prazo e a desvalorização cambial, na sua opinião, oscilará entre 20% e 25%, com picos de até 30%.
O Brasil, como mercado emergente, está sendo prejudicado pela precipitação dos investidores externos, já escaldados por grandes perdas financeiras durante as crises asiática e russa. ‘‘A liquidez secou para mercados emergentes e teremos de passar por um longo período de estiagem’’, comenta. Mesmo acreditando que grandes empresas poderão continuar rolando eurobônus, ela descarta a possibilidade de um retorno rápido de recursos a custo mais baixo para financiamento de capital de giro e entrada de recursos em bolsas de valores.

mockup