CNI aponta desaceleração da economia
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quarta-feira, 30 de abril de 1997
Agência Estado 
RIO - Os últimos indicadores industriais, analisados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram que a economia está longe de um aquecimento, como sustentam alguns especialistas. Ao contrário. Os dados dessazonalizados (sem os efeitos provocados pelas épocas do ano) da produção física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do indicador de faturamento real da CNI, relativos a fevereiro, revelam uma desaceleração no ritmo de crescimento no início do ano.
Conforme a CNI, essa queda não é homogênea. Em alguns setores, como bens de consumo duráveis, o nível de produção é elevado. Já os segmentos de bens intermediários e de bens de capital tiveram um desempenho mais fraco nos dois primeiros meses do ano quando comparados a 1996.
Os indicadores industriais da CNI mostram recuo na atividade industrial em fevereiro em relação a janeiro. Mas os técnicos da CNI observam que a expansão da renda agrícola e o reajuste do salário mínimo devem favorecer a atividade produtiva nos próximos meses. Isso, apesar dos sinais de exaustão do padrão de expansão baseado no endividamento das famílias, com o aumento da inadimplência.
Com relação ao equilíbrio fiscal, a batalha está longe de ser vencida pelo governo, segundo a CNI. Os técnicos do departamento econômico acreditam que a meta fixada pelo governo para este ano, de superávit de 1,5%, pode ser alcançada. Mas isso, apenas se o governo concentrar esforços em uma maior contenção de gastos.
O desequilíbrio fiscal continua sendo a maior ameaça à estabilização econômica,afirmam os economistas da CNI. Eles ressaltam que a reforma administrativa é um dos instrumentos indispensáveis para a obtenção de um ajuste fiscal.
A inflação média mensal ficará em torno de 1% no segundo trimestre do ano, superior à média de 0,71% nos primeiros três meses de 1997, segundo projeções da CNI. Trata-se da maior média do ano, fato que também ocorreu em 1995 e 1996. Não se espera, contudo, reversão da trajetória de queda das taxas acumuladas em 12 meses, avaliam os economistas.


