A maioria dos consumidores brasileiros não pretende comprar no Natal deste ano mais do que comprou no ano passado. É o que revela uma pesquisa encomendada pela CNI (Confederação Nacional das Indústrias) ao Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística).
De acordo com a pesquisa, 51% das 2.000 pessoas ouvidas em nove regiões metropolitanas de capitais brasileiras responderam que irão manter no Natal deste ano o mesmo nível de compras do Natal de 95. E 30% responderam que pretendem comprar menos. Apenas 16% dos entrevistados entre 27 de novembro e 1º de dezembro responderam que pretendem comprar mais no Natal deste ano.
Em agosto, os números de uma pesquisa semelhante mostravam que 27% dos entrevistados pretendiam comprar mais no Natal deste ano, 19% pretendiam comprar menos e os mesmos 51% de agora pretendiam manter o volume de compras.
Para Flávio Castello Branco, subchefe do Departamento Econômico da CNI, os números indicam que ‘‘a expectativa do comércio de ampliação das vendas sobre 95 podem não se confirmar’’.
Segundo a pesquisa, a propensão por manter o nível de compras é maior nas camadas sociais de renda mais elevada. Nas camadas de baixa renda, a propensão é para o aumento das compras. Na tabulação por sexo, foi constatado que a propensão para reduzir as compras é maior entre as mulheres, consideradas tradicionais consumidoras nesta época do ano.
Não comprar nada Por produtos, os sapatos e roupas lideraram as intenções de compras de Natal na pesquisa, com 41% de respostas. Em segundo lugar, com 22% de respostas, veio o bloco dos que não pretendem comprar nada. Em agosto, essa opção tinha 13% de respostas. Dos que não pretendem comprar nada, 37% são do grupo de pessoas de baixa renda (menos de dois salários mínimos). Em outra questão, 17% disseram que pretendem usar o 13.o salário para pagar dívidas (11% em agosto) e 45% disseram que não recebem 13.o (48% em novembro).
A pesquisa da CNI abrangeu um leque de 13 aspectos econômicos, desde as compras de Natal até a expectativa em relação ao Plano Real, passando pelo desemprego e a satisfação com a vida. Os dados revelaram que 60% das pessoas ouvidas em novembro/dezembro temem perder o emprego, sendo que 38% temem muito. Em agosto, o número dos que temiam em algum grau era de 53% e o dos que temiam muito, de 32%. O percentual dos que se disseram desempregados caiu de 8% em agosto para 5% agora.
A flexibilização das leis trabalhistas para permitir livre negociação dos direitos entre patrões e empregados recebeu a aprovação de 68%. Esse percentual subiu para 78% quando a pergunta apresentou a hipótese de risco de demissões por conta de dificuldades da empresa. Para 73% dos entrevistados, 1996 foi um ano bom ou muito bom. Para 79%, 97 também será assim. E 44% previram que o Plano Real ‘‘será um sucesso’’ (31% em agosto).

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