CNI apóia. CUT prepara protesto
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quarta-feira, 23 de abril de 1997
Agência Estado 
RIO - A Central Única dos Trabalhadores (CUT) está preparando uma maratona de manifestações para tentar impedir a realização do leilão de privatização do controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce, na terça-feira. Nossa idéia é que o protesto seja tão intenso que evite a venda, afirma a presidente regional da CUT, Iná Meireles. A entidade pretende reunir entre 25 mil e 30 mil pessoas nas imediações da Bolsa de Valores do Rio, onde será feito o leilão. Estão sendo aguardadas as presenças do presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, do ex-governador Leonel Brizola (PDT) e do presidente de honra do PT, Luis Ignacio Lula da Silva.
O protesto será iniciado na segunda-feira, véspera do leilão, com o enforcamento de um boneco simbolizando o presidente Fernando Henrique Cardoso, em frente à sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Não estamos chamando uma greve geral, mas os 107 sindicatos filiados à CUT no Rio vão tentar mobilizar suas categorias para aderirem a uma paralisação no dia 29, diz Iná. A CUT está convocando os opositores à venda das ações da Vale a se vestir de amarelo, a cor do ouro, para protestar contra a privatização.
CNI é favorávelPor unanimidade, a diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI) definiu ontem posição favorável à privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Hoje a CNI envia ofício ao presidente Fernando Henrique Cardoso comunicando a decisão. Está na hora de privatizar, tem que vender quando há compradores, argumentou o vice-presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira.
Ferreira justificou a posição da Confederação destacando que, a exemplo do que ocorreu com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Açominas e a Cosipa, a Vale pode ter uma melhoria de eficiência e produtividade. E isso pode implicar aumento na geração de emprego, destacou Ferreira. A decisão dos 27 diretores da CNI, segundo ele, considerou, ainda, que não é papel do Estado atuar como agente produtivo. Ou seja, o governo tem que cuidar de problemas estruturais, como obras de saneamento, por exemplo.


