CNI alerta para política monetária
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2005
Jacqueline Farid <br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A calibragem da política monetária será fundamental para definir o ritmo da produção industrial neste ano, segundo alerta o economista Paulo Mol, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo ele, o desaquecimento no crescimento das vendas do varejo apontado pelas pesquisas dos últimos meses não preocupa a indústria, que continua apostando no aumento da demanda interna como estímulo para um novo aumento da produção em 2005.
Mol disse que os empresários industriais entraram neste ano confiantes que, assim como ocorreu em 2004, o aquecimento do mercado doméstico se juntará às exportações como impulso de aumento de ritmo da produção industrial. Ele lembrou que o ano passado foi o primeiro em que o mercado doméstico impulsionou a atividade da indústria, após puxar para baixo o setor em 2002 e 2003, quando as exportações foram o único fator que evitou uma queda maior da produção.
Para o economista, a única variável que poderá comprementer o aquecimento da demanda esperado pela indústria para 2005 é a política monetária. Segundo ele, os empresários do setor esperam que a alta dos juros não seja forte ou se prolongue no tempo mas, caso essa expectativa seja frustrada, é uma incógnita o que ocorrerá com a demanda interna e, em consequência, com a atividade industrial.
A avaliação de Mol é que as elevações dos juros, se prosseguirem, vão acabar afetando o crédito ao consumidor no varejo. ''Qualquer movimento nos juros tem impacto, mesmo com defasagem, na demanda'', disse. Para ele, há ''sinais contraditórios'' para avaliar como será a demanda interna em 2005.
Do lado positivo já conhecido, ele cita ''o mercado de trabalho muito vigoroso'' que marcou o ano passado e que deverá prosseguir neste ano, inclusive na indústria, o que mostra confiança dos empresários. Por outro lado, segundo sublinhou, essa confiança pode vir a ser arrefecida de acordo com o comportamento dos juros.
O chefe de coordenação de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, destacou que o ano de 2004 marcou, para a indústria, a volta do mercado interno como estímulo à produção, ao contrário do que havia ocorrido nos dois anos anteriores.
Segundo ele, é difícil saber qual será o efeito da desaceleração do crescimento das vendas do varejo sobre o setor porque é preciso aguardar os dados de dezembro, para quando é esperado um novo sinal de aceleração do crescimento ante igual mês de 2003.
Os dados que comprovam a boa influência do mercado interno e do varejo sobre a indústria em 2004, como lembra Sales, estão na maior parte vinculados aos bens duráveis. A produção de eletrodomésticos da linha branca, por exemplo, subiu 39% no acumulado de janeiro a novembro de 2004 ante igual período de 2003. O aumento foi estimulado pela redução de estoques no varejo, já que a venda de móveis e eletrodomésticos cresceu 27% nessa base de comparação.
Além disso, o consumo das famílias, que tinha caído 2,4% no acumulado de janeiro a setembro de 2003 ante o ano anterior (segundo dados do Produto Interno Bruto acumulado até o terceiro trimestre), inverteu o sinal e cresceu 3,9% até o final do terceiro trimestre do ano passado ante janeiro a setembro de 2003, segundo os dados já divulgados pelo IBGE.
Sales avalia que há variáveis importantes para checar os futuros movimentos dos estoques da indústria, que são os resultados das vendas do varejo em dezembro, e da demanda interna, que é como a elevação da taxa básica de juros a partir de setembro do ano passado vai rebater no varejo.


