Curitiba Mesmo com o cenário desfavorável de instabilidade econômica no ano passado, a Case New Holland (CNH) latino-americana holding do Grupo Fiat para os segmentos de máquinas agrícolas e de construção conseguiu faturar cerca de 32,35% a mais do que em 2001. O faturamento do grupo no Brasil chegou a R$ 2,250 bilhões em 2002, enquanto no ano anterior foi de R$ 1,7 bilhão.
O resultado satisfatório, segundo o presidente da CNH para a América Latina, Valentino Rizzioli, foi puxado pelo crescimento da agricultura. As vendas de maquinário para o setor agrícola correspondem a 65% do faturamento do grupo no Brasil e registraram, em 2002, crescimento de 19,45%. Foi o melhor desempenho desde 1994, com a venda de 42,6 mil tratores e colheitadeiras.
O produtor brasileiro está mais atento à tecnologia. A preocupação com as características técnicas do equipamento, informou Rizzioli, passou a ocupar o primeiro lugar no ranking de importância, enquanto o custo caiu para a quinta posição. ''Os clientes estão percebendo que usando máquinas certas, eles vão melhorar a colheita e, consequentemente, sua rentabilidade'', avaliou.
Além de aumentar o faturamento, a CNH conseguiu manter a liderança de mercado tanto no setor agrícola como no de construção. Os tratores e colheitadeiras produzidos pela companhia em sua fábrica de Curitiba responderam por 26,9% das vendas para o mercado interno de tratores e 44,8% no de colheitadeiras. No setor de construção, a CNH comercializou 2.659 máquinas ou o equivalente a 43,1% das vendas em todo o Brasil.
A CNH, segundo Rizzioli, exportou 72% a mais em 2002 na comparação com o ano anterior, apesar da redução nas vendas para o mercado argentino. A Venezuela e África do Sul foram os melhores compradores, mas o grupo exporta para outros 78 países. A exportação representou 22% do faturamento da companhia no ano passado e a meta é que essa fatia aumente para 25% este ano e para 30%, em 2004.
A expectativa da CNH é de dobrar, este ano, as vendas para a Argentina já que a agricultura no país é muito competitiva. Em 2002, o mercado argentino comprou apenas 874 tratores e 360 colheitadeiras. A CNH atendeu cerca de 20% dessa demanda. A média anual de aquisição de maquinários no país vizinho, lembrou Rizzioli, era de 10 mil tratores e 2,5 mil colheitadeiras.
Rizzioli diz que ''o Brasil não tem aspiração natural à exportação'', referindo-se à falta de infra-estrutura aeroportuária e à excessiva burocracia, que complicam os negócios com outros países. Ele aposta na ''sensibilidade'' do atual governo federal para reativar o Mercosul e desenvolver acordos bilaterais que possam promover uma maior integração entre os países da América Latina.

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