Arquivo FolhaSem prejuízoPio Borges, presidente do BNDES, diz que a Urucum será devolvida pelo preço pago e mais correçãoO Conselho Nacional de Desestatização decidiu em reunião, ontem, que o leilão da Companhia Vale do Rio Doce está mantido para o dia 29 de abril, informou o ministro do Planejamento, Antônio Kandir. O CND autorizou o BNDES a conduzir as negociações para a devolução da Urucum Mineradora para o Estado de Mato Grosso. O acerto para que a compra seja desfeita tem que ser conhecido até 29 de abril, data do leilão da Vale, com a divulgação de fato relevante. Em 120 dias, o negócio deverá estar concretizado.
Segundo o vice-presidente do BNDES, Pio Borges, a Urucum será devolvida pelo preço pago, mais correção. De acordo com Kandir, nada muda quanto ao leilão da Vale. Ele descartou que recursos da privatização desta estatal serão usados para a reforma agrária. Kandir disse ainda que a privatização do Porto de Santos se dará por leilão.
A Companhia Vale do Rio Doce pretende revender para os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul os 46% das ações da Urucum Mineração, que comprou em 1994. Essa foi a solução encontrada pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND) para resolver a discussão sobre a Urucum Mineração, cuja compra pela Vale é contestada pelos governos dos dois estados. Com esta medida, a Urucum será retirada do leilão da Vale.
‘‘Se a compra da mineradora foi feita por um valor considerado pequeno, os estados poderão recomprar sua participação pelo preço pago pela Vale, com correção’’, explicou o ministro do Planejamento, Antônio Kandir. A Urucum foi comprada por R$ 17,1 milhões, mas os governadores contestam esse valor, argumentando que a empresa vale pelo menos R$ 200 milhões.
Com essa decisão, o CND joga para os estados a responsabilidade para conseguir novos compradores, capazes de pagar o valor que eles reivindicam. O governo espera que os governadores concordem ou não com essa solução nas próximas duas semanas, antes, portanto, do leilão da Vale.
‘‘Se houver a concordância, os governadores poderão optar pela recompra em 90 dias’’, afirmou José Pio Borges, vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Caso haja concordância, antes do leilão, o BNDES publicará um aviso de ‘‘fato relevante’’ para comunicar a decisão aos interessados na desestatização. Kandir garante que a decisão não terá influência no leilão de privatização. ‘‘A data continua mantida, não há nenhuma razão para haver adiamento’’, afirmou.

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