O Fórum de Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) vai pedir ao governo brasileiro na próxima semana que suspenda toda a importação de produtos de origem animal da Argentina.
Segundo o coordenador do Fórum, Antenor Nogueira, esta suspensão é necessária porque laboratórios da Argentina estariam manipulando virus exóticos (inexistente na América do Sul) na fabricação de vacina contra a aftosa.
Segundo Nogueira, que se encontra em Assunção, Paraguai, a confirmação de que esta manipulação estaria acontecendo foi feita pelo diretor do Serviço Nacional de Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), Marcelo de la Sota, que também está participando da reunião da Comissão Sul-Americana de Combate a Aftosa (Cosalfa), na capital paraguaia.
‘‘O fato é gravíssimo e pode comprometer os programas de combate à aftosa na América do Sul, já que esse tipo de vírus é totalmente estranho para nós’’, afirmou. Segundo ele, o vírus é proveniente de Taiwan e está sendo manipulado pelos laboratórios argentinos na produção de vacinas exportadas pela Argentina para aquele país. ‘‘Qualquer acidente em um desses laboratórios que exponha o gado ao vírus seria uma catástrofe, porque não teríamos vacina para prevenir esse tipo de aftosa’’, alertou.
Antenor Nogueira disse que no encerramento da reunião da Cosalfa, que ocorreu na noite de ontem, os países participantes deveriam aprovar o envio de uma carta ao governo da Argentina protestando contra a ação dos laboratórios que estão produzindo esse tipo de vacina para exportar à Taiwan. Nogueira enfatizou que, se não for proibida a manipulação desses vírus exóticos de aftosa nas vacinas, o governo argentino terá que ser responsabilizado por qualquer acidente que venha a ocorrer e coloque em risco o controle da febre aftosa nos rebanhos da América do Sul.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, disse, por meio de sua assessoria, que o governo brasileiro já tomou as medidas que impediriam a entrada do vírus da aftosa procedente da Argentina, com o fechamento da fronteira com aquela País no dia 21 de fevereiro passado e a proibição para a importação de animais vivos, material de reprodução e carne com osso da Argentina.
Vaca louca O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, disse ontem que a decisão do Brasil de vetar a entrada de produtos animais no País foi ‘‘corretíssima’’. ‘‘Evidentemente, a medida é correta porque temos que proteger o território do ingresso de doenças’’, afirmou. Ele lembra que a entrada da carne européia no País já estava vetada pelo Ministério da Agricultura. ‘‘A medida não tem qualquer sentido de retaliação e será compreendida pelos europeus’’, disse o ministro.

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