Brasília O faturamento do setor agropecuário, calculado com base nos 25 principais produtos, deverá cair 14,6% este ano, segundo estimativas divulgadas ontem pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A entidade projeta, ainda, que o Produto Interno Bruto (PIB) da agricultura deve fechar o ano em R$ 83,65 bilhões, 12,3% menor que os R$ 95,43 bilhões de 2004. Os principais responsáveis são o câmbio desfavorável às exportações e a queda dos preços agrícolas no mercado externo.
O chefe do Departamento Econômico da CNA, Getúlio Pernambuco, alertou para o risco de menor oferta de alimentos no médio prazo. ''Neste momento os consumidores estão sendo beneficiados, pagando menos pelos alimentos. Mas isso é solução de curto prazo, pois repercutirá em redução da produção e, com queda de oferta, a tendência é haver aumento dos preços'', avaliou.
A CNA avalia também que a balança comercial do agronegócio deverá fechar o ano com saldo de US$ 35 bilhões em comparação com US$ 34,1 bilhões do ano passado. As exportações devem somar US$ 40 bilhões, ante US$ 39 bilhões no ano passado. Ou seja, praticamente não houve crescimento.
Para o chefe do Departamento de Assuntos Internacionais e de Comércio Exterior da CNA, Antônio Donizete Beraldo, as exportações do agronegócio estão perdendo fôlego. Em junho deste ano, o setor exportou US$ 4,2 bilhões ante US$ 4,4 bilhões em igual mês do ano passado. ''Houve aumento das exportações de carnes, café, açúcar e álcool, mas isso não tem sido suficiente para compensar a queda registrada nos embarques de soja'', disse Beraldo.
Estimativas da CNA indicam que as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) vão render US$ 8 bilhões em 2005. Se confirmada, será uma queda em relação ao resultado do ano passado, quando as exportações de soja renderam US$ 10 bilhões ao País. A previsão foi feita com base no resultado dos embarques no primeiro semestre do ano. As exportações de soja somaram 18,922 milhões de toneladas. Em igual período do ano passado, as vendas somaram 18,968 milhões de toneladas.
Apesar do aumento do volume embarcado, a queda dos preços internacionais derrubou a receita cambial obtida com as exportações de soja. No acumulado de janeiro a junho, as exportações do complexo soja somaram US$ 4,36 bilhões, 20% a menos que os US$ 5,46 bilhões registrados entre janeiro e junho de 2004.
De acordo com Beraldo, na média dos seis primeiros meses de 2004, o preço médio de exportação do complexo soja era de US$ 287,9 por tonelada. No primeiro semestre deste ano, o preço médio foi de US$ 230,7 por tonelada, queda de 19,8%.

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