O saldo comercial da balança de exportação deve ter uma melhora significativa com a elevação das exportações de produtos agropecuários. A expectativa é que em 1999 o saldo da agropecuária seja positivo em mais de US$ 10 bilhões, contribuindo com a elevação do desempenho da balança comercial brasileira. A avaliação é da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) ao ressaltar que o setor agropecuário irá responder imediatamente à liberação do câmbio com o aumento da área plantada.
Mesmo com a moeda sobrevalorizada e com todas as dificuldades vividas pelo setor em 1998, o setor agropecuário exportou US$ 15 milhões em produtos agrícolas e importou US$ 7 bilhões, gerando um saldo positivo de US$ 8 bilhões, estima Antonio Donizete Beraldo, chefe do Departamento de Comércio Exterior da CNA. Os indícios apontam que o grande mercado que se abre para a agropecuária é a exportação.
Com a melhoria do desempenho da Agropecuária, Beraldo prevê um aumento da área plantada de grãos que está estagnada nos últimos 10 anos em torno de 35 milhões de hectares. O adicional de plantio deverá gerar um excedente de produtos para exportação já que o mercado interno está estagnado e deverá enfrentar ainda uma recessão em 1999, salienta.
Beraldo não acredita na reação do consumo no mercado interno porque o poder de compra deverá ser prejudicado com a volta da inflação. O mercado interno, em recessão, vai segurar os preços dos produtos agrícolas, que deverão ser importados este ano para abastecer o consumo como trigo, arroz, algodão e milho. Estes produtos terão suas cotações elevadas até o nível da paridade internacional, destacou.
Trigo Apesar do mercado permanecer parado há quatro dias úteis, a liberação do câmbio já provocou aumento no custo de importação do trigo, que deverá ser repassado para o custo dos derivados como o pãozinho, massas e biscoitos. Segundo a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) o trigo importado da Argentina aumentou de R$ 160,00 a tonelada, antes da mudança de câmbio, para R$ 195,00 a tonelada, ontem.
A preocupação é com as compras que ainda não foram internalizadas, disse o técnico Flávio Turra. Segundo ele, se o custo de importação ficar muito elevado provavelmente o país não vai importar as 6 milhões de toneladas de trigo previstas para este ano, necessárias para atender o consumo. Isso porque a demanda deverá recuar e o consumo de trigo poderá ser reduzido.
Como consequência, Turra prevê a valorização da produção nacional, cujo plantio começa a partir de março.‘‘Até lá o produtor deve analisar com calma as condições de plantio’’. Ele antecipou que o Paraná tem semente disponível para o plantio de 900 mil hectares, a mesma área plantada no ano passado.

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