CNA: PIB do agronegócio cai 0,88%
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sexta-feira, 09 de janeiro de 2009
Gerusa Marques<br> Agência Estado 
Brasília - A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou ontem uma queda de 0,88% no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro no mês de outubro em relação a setembro. Segundo a presidente da CNA, Katia Abreu, este é o primeiro resultado negativo desde junho de 2006, quando foi registrada uma queda de 0,148%. ''Trata-se de um sinal vermelho de que a desaceleração já começou. Nós estamos bastante preocupados com o PIB, mas não estamos querendo fazer alarde'', disse a senadora.
Ela lembrou que o PIB vem sofrendo recuo desde agosto passado e as principais causas são a crise financeira internacional e a retração do crédito. Ainda assim, a CNA projeta um PIB de R$ 685 bilhões até outubro de 2008, o que representa um crescimento de 6,6% em relação ao PIB de todo o ano de 2007, que é de R$ 585 bilhões. Ela admitiu, no entanto, a possibilidade de esses números serem reduzidos com os resultados de novembro e dezembro, que ainda serão calculados. Ela lembra que o PIB é calculado sobre a receita, ou seja, a renda obtida com a venda dos produtos agrícolas. Até outubro, disse ela, foram comercializados 20% do total da produção quando o normal para o período é acima de 50%.
No levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, para a CNA, no segmento da agricultura houve uma queda de 1,42% do PIB em outubro sobre setembro. E na pecuária, foi registrado leve crescimento de 0,44%, mas em desaceleração na comparação com os meses anteriores. Em relação ao setor de insumos, houve queda de 0,47% no PIB em outubro.
Katia Abreu não fez estimativas para 2009, mas disse que a redução da previsão do PIB nacional, de 5% para 2,5% neste ano, não pode ser desconsiderada. Sobre as dificuldades do setor do agronegócio, disse é preciso resolver três grandes problemas, que são quem vai financiar, como diminuir o risco e como reduzir os custos de produção.
A presidente da CNA voltou a cobrar mais prazo para pagamento das dívidas e juros menores para o setor. Segundo ela, essas questões estão sendo analisadas por um grupo formado por representantes do Ministério da Fazenda, da Agricultura, do Banco do Brasil, da CNA, da BM&FBovespa e Febraban, que terá reunião no próximo dia 30.


