Brasília - Mesmo com o embargo declarado por vários países por causa dos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mantém a expectativa de receita cambial de US$ 3 bilhões com as exportações de carne bovina em 2005 - valor 22% maior do que os US$ 2,45 bilhões obtidos em 2004.
Segundo o presidente do Forum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, ainda é cedo para revisar as estimativas de exportação. ''Não acredito em prejuízo tão grande. Os frigoríficos exportadores são fortes e têm plantas em outros Estados. Eles podem abater animais em Estados sem restrição e cumprir os contratos de exportação'', disse ele.
''Não concordo com a CNA. Oxalá as exportações cheguem a US$ 3 bilhões'', disse o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antonio Camardelli. Ele afirmou que haverá perda de receita cambial por conta dos embargos em decorrência dos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, mas é muito difícil fazer uma estimativa, pois há contêineres parados nos portos, mercadorias em trânsito e cargas que já estão nos países compradores. Ele acrescentou, no entanto, que pode haver uma queda de 30% no faturamento obtido com as exportações nos últimos dois meses do ano. ''O prejuízo já é certo'', disse.
Segundo o dirigente da CNA, o Ministério da Agricultura informou que há mais seis suspeitas de foco no sul do Mato Grosso do Sul. ''O importante é que os focos não saiam da zona tampão'', ponderou Nogueira, referindo-se à área interditada em torno do município de Eldorado, onde foi verificada a primeira ocorrência.
Resultados - A CNA também divulgou o resultado das exportações de carne bovina entre janeiro e setembro deste ano. As vendas renderam US$ 2,361 bilhões, o que representa 1,73 milhão de toneladas do produto. A receita de exportação foi 31% superior aos US$ 1,797 bilhão dos nove primeiros meses de 2004. Em volume, os embarques cresceram 30%. Os principais destinos da carne brasileira, nesse período, foram Rússia (US$ 406 milhões), Egito (US$ 205 milhões), Holanda (US$ 155 milhões), Reino Unido (US$ 153 milhões) e Chile (US$ 136 milhões).
A CNA se reuniu nos últimos dois dias para avaliar a situação dos pecuaristas depois da descoberta de focos de aftosa no Mato Grosso do Sul. Segundo Nogueira, o custo da indenização para os pecuaristas cujas fazendas tiveram focos confirmados e tiveram de sacrificar seus rebanhos é de R$ 18 milhões, quantia suficiente para cobrir o abate de cerca de 5 mil cabeças. O dirigente da CNA afirmou que é ''contra indenizar os pecuaristas que contrabandearam animais do Paraguai ou que não vacinaram seus rebanhos''.
Ele alertou ainda que o pecuarista que não aceitar o sacrifício de animais doentes poderá retardar a reabertura de mercados no exterior. Se os animais forem abatidos, uma área pode ser reaberta seis meses após o controle total do foco. Sem o abate, esse período sobe para 18 meses. ''Não há impasse, a legislação sanitária internacional precisa ser cumprida'', disse ele, referindo-se a manifestações de pecuaristas do Mato Grosso do Sul, que resistem a permitir o abate dos animais na região infectada.

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