As exportações do agronegócio deverão crescer 10% no ano que vem, podendo ultrapassar os US$ 18 bilhões, segundo estimativa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA). A grande aposta no comércio exterior, de ultrapassar os US$ 17,2 bilhões obtidos no ano passado, segundo o presidente da entidade, Antonio Ernesto de Salvo, se baseia no aumento da venda da soja e das carnes suína e de frango.
As exportações de carnes suína e de frango deverão crescer especialmente para substituir o consumo de carne bovina na Europa, que está em queda por causa da síndrome denominada vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina), que provoca a degeneração do cérebro dos animais e de quem consome o produto. Segundo ele, o aumento das exportações de carne bovina depende da dimensão do pânico que a doença está gerando nos consumidores europeus. ‘‘A doença pode fazer com que as pessoas parem de consumir qualquer carne bovina, independente da origem’’, observou.
A expectativa é a de que ocorra recuperação no preço de commodities como a soja, o café e o açúcar, o que deverá ampliar a exportação dessas mercadorias. Conforme a CNA, a proibição na Europa da utilização de proteínas de ração animal (farinha de carne e farinha de osso) deverá gerar internacionalmente uma demanda adicional de dois milhões de toneladas de farelo de soja.
Mesmo estando reticente sobre o aumento das exportações de carne bovina, o presidente da CNA afirma que o Brasil deve fazer um trabalho dirigido para a conquista do mercado europeu, destacando as vantagens da chamada ‘‘carne verde’’ (proveniente de animais alimentados com pastagem). No próximo ano o País deverá contar com 135 milhões de cabeças de gado certificadas, o que corresponde a 80% do seu rebanho total, o que amplia o potencial do setor destinado à exportação.
A melhora nas exportações de frango, em razão do aumento do consumo na Europa, já começou. A avicultura deverá fechar o ano com exportações de 940 mil t, o que representa uma receita cambial de US$ 850 milhões. Esse volume de vendas significa um aumento de 22% sobre o volume vendido ao exterior em 1999, segundo a CNA. A produção de aves em 2000 será de 5,72 milhões de t, ou 3,5% a mais que 1999.
Saldo Neste ano, a balança comercial do setor agropecuário deverá gerar um superávit de US$ 11,7 bilhões - US$ 500 milhões a menos que no ano passado, que foi de US$ 12,3 bilhões, conforme os dados da CNA, que são diferentes daqueles contabilizados pelo governo porque considera apenas os produtos essencialmente agrícolas.
Entre as razões para essa redução está a queda na quantidade exportada deprodutos como o açúcar, aliado à redução de preços no mercado externo. As vendas externas de açúcar cairam à metade por causa da quebra na safra nacional de cana, fazendo com que o Brasil exporte pouco mais de cinco milhões de t do produto neste ano.

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