CNA espera safra menor e critica FHC
Renato Andrade
Agência Estado
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) prevê uma redução da safra de grãos do próximo ano. Ao contrário do governo federal, que aposta numa nova supersafra de 83,439 milhões de toneladas, o presidente da entidade, Antonio Ernesto de Salvo, afirmou ontem que o País registrará uma produção de, no máximo, 81,2 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 1% em relação ao volume colhido na safra 1998/1999.
Salvo não poupou críticas ao governo e comparou a pequena safra prevista para o próximo ano com a política desenvolvida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para o setor. A pequena safra é proporcional ao governo, que é tacanho e pequeno e que não entende o valor de seu campo, afirmou.
De acordo com o estudo divulgado ontem pela entidade, dificilmente o Brasil conseguirá atingir a meta de produção de 100 milhões de toneladas a partir do ano 2001. Salvo frisou que na próxima safra, além de uma redução na produção, haverá um aumento nas importações de milho, arroz e trigo. Na estimativa elaborada pela CNA, as importações de milho devem aumentar em 700 mil toneladas, fechando em aproximadamente 1,8 milhão de toneladas a serem importadas na próxima safra.
Importações Segundo o presidente da CNA essas importações serão feitas com o objetivo de suprir as necessidades de abastecimento do mercado interno, que foi prejudicado pela ausência de estoques reguladores do governo e pela queda de 10,8% na produção de milho em Goiás.
Outra preocupação da CNA é com a perspectiva de importação de cerca de 6,9 milhões de toneladas de trigo na safra 1999/2000. Isto é uma afronta; isto é política deliberada para fazer a agricultura moeda de troca em assuntos como Mercosul e outras cositas más, ironizou Salvo.
Renda - Pelo levantamento elaborado pela CNA, a agricultura brasileira deve fechar este ano com uma queda de 0,7% na renda bruta do setor. Esse porcentual de queda representará, de acordo com o estudo, numa redução de R$ 500 milhões na renda bruta deste ano, em relação à do ano passado.
O estudo demonstra também uma queda na utilização de tecnologia nas lavouras brasileiras em 1999. Os produtores usaram 18,1% menos de fertilizantes e 7,2% menos de calcário nas lavouras neste ano em relação ao ano passado.
A balança comercial do setor agropecuário também registrou uma queda de aproximadamente US$ 1 bilhão nos valores das exportações contabilizados até outubro em consequência da redução dos preços médios das commodities. Para o presidente da CNA, o superávit agrícola este ano deve ser de US$ 13 bilhões, ante US$ 14 bilhões apurados no ano passado.
Perfil Junto com o estudo sobre a atividade agrícola em 1999 e as perspectivas para 2000, foi divulgada ontem uma pesquisa elaborada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a CNA, sobre o perfil do agricultor brasileiro. De acordo com o estudo, os agricultores que moram na região Centro-Oeste do País são os que têm melhor nível de renda, escolaridade, entre outros ítens pesquisados.
CENÁRIO
- O ministro Pratini ignorou a seca e previu, esta semana, uma safra de 83,4 milhões de toneladas,
- Apesar do modesto crescimento sobre a safra anterior, Pratini chamou de supersafra, o que não foi sequer semeado,
- Muitos ficaram surpresos, afinal a safra de milho foi prejudicada e a soja sofre atraso,
- Ontem a Confederação da Agricultura tornou pública sua previsão, menor que a safra anterior,
- CNA também aponta queda na renda bruta da agricultura, apesar da alta de preços,
IBGE também divulgou números apontando perda de safra, só que esperou o governo festejar seus números.





