CNA defende liberdade no mercado
O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, disse ontem que a redução dos preços dos produtos agrícolas nos últimos dias mostrou a força dos consumidores e a importância de o governo deixar o controle dos preços por conta do mercado. Os consumidores deixaram de comprar e fizeram com que os reajustes fossem regulados pelo próprio mercado. Salvo destacou que mesmo com o aumento dos preços após a desvalorização da moeda, o governo entendeu que era melhor não adotar medidas como a redução das alíquotas de importação dos produtos lácteos, por exemplo, deixando ao consumidor a tarefa de fiscalizar os preços.
O presidente da Comissão de Pecuária Leiteira da CNA, Paulo Bernardes, enviou ofício ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmando o compromisso do setor com a redução da inflação, mas pediu que o governo acompanhe de perto as margens de lucro dos supermercados na venda de lácteos. Dados de pesquisa enviada ao ministro apontam margens de mais de 100% nos preços dos queijos vendidos no varejo. Enquanto isso, o preço do litro de leite recebido pelo produtor não teve nenhum reajuste nos últimos meses e, em alguns Estados, não chega a R$ 0,20, afirmou.
De acordo com a CNA, os produtores de leite querem agora a agilização da abertura de investigação de dumping nas importações, solicitada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no final do ano passado. Na estimativa dos técnicos, se houver uma queda em torno de 40% nas importações em relação ao ano passado, poderão ser criados no setor 21 mil empregos diretos este ano, desde que sejam adotadas medidas antidumping como a fixação de tarifas compensatórias, já que após a desvalorização cambial os países exportadores reduziram ainda mais os preços de seus produtos. Um exemplo citado pela CNA é a Argentina, que no ano passado exportava o leite em pó ao Brasil por mais de US$ 2.000 a tonelada e agora está vendendo o mesmo produto a US$ 1.800.Arquivo FolhaFiscais das gôndolasPresidente da CNA, Antonio de Salvo, diz que redução de preços agrícola revela força do consumidorAgência Estado





