CNA critica intervenção no mercado de arroz
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - A decisão do governo de intervir no mercado de arroz e suspender a exportação do cereal para suprir a demanda interna foi duramente criticada pelo superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta. Segundo ele, o arroz não tem expressão em termos de exportação, mas a decisão do governo pode abrir um precedente para que outras exportações do setor agrícola também sejam limitadas. ''Agora é o arroz, depois é o milho e, em seguida, a carne de frango. Ninguém sabe onde essa idéia vai parar'', afirmou ele, lembrando que o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, já sinalizou que está avaliando a evolução do mercado de milho, um dos produtos que tem ganhado expressão no mercado internacional.
Conforme Cotta, no caso do arroz, há pouco volume excedente para exportação, o que não acontece no milho, cujas exportação devem alcançar 10 milhões de toneladas este ano. Para o superintendente da CNA, as declarações do ministro podem ser ''um tiro no pé'' ou um balde de água fria, cujo impacto negativo será observado no plantio da próxima safra. ''Ninguém vai querer plantar em um cenário de instabilidade'', garantiu ele.
A CNA argumenta que o atual cenário externo de alta de preço dos alimentos é favorável ao Brasil porque o País tem condições de incrementar sua produção e os volumes exportados. ''Somos contra qualquer tipo de intervenção'', ressaltou. ''Uma reposta do mercado ao aumento da demanda é resultado do aumento de preço'', disse ele, ao explicar que, se o preço dos alimentos sobe, o produtor investe mais e produz mais. Consequentemente, há um equilíbrio entre oferta e demanda.
Com relação à decisão do governo de barrar a exportação de arroz, Cotta salientou que não está claro para os produtores como será feito o controle da exportação, se é por meio de um imposto ou da não emissão de certificados fitossanitários para exportação.
Leilão
O Ministério da Agricultura e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) iniciarão no próximo dia 5 de maio os leilões de estoques públicos de arroz para regular o abastecimento do mercado interno. Serão ofertadas 55 mil toneladas do cereal, com preço de abertura de R$ 28,00 por saca de 50 quilos tipo 1 com rendimento 58/10. Os remates dos estoques públicos serão semanais, mas o volume dos próximos leilões ainda serão definidos e levarão em consideração o resultado da primeira oferta.
A decisão da intervenção foi negociada com o setor produtivo e industrial em reunião realizada ontem, na Secretaria de Política Agrícola do ministério. O diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento Agrícola e Pecuário, José Maria dos Anjos, disse que o Brasil não enfrenta problemas de abastecimento de arroz. ''Até fevereiro de 2009, final do ciclo da cultura, o mercado interno contará com 15,18 milhões de toneladas de arroz'', afirma. O cálculo leva em consideração uma produção de 11,95 milhões de toneladas da safra 2007/08, o estoque inicial da safra, de 1,85 milhão de toneladas e o estoque federal, de 1,38 milhão de toneladas.
O governo acredita que para os próximos dez meses existam disponíveis 13 milhões de toneladas de arroz. Nesse cálculo, o governo leva em consideração a colheita de 80% da safra brasileira e o consumo nacional dos últimos dois meses, de 2,18 milhões de toneladas.


