Brasília - A decisão do governo da China de conceder certificação permanente para a soja geneticamente modificada importada dos Estados Unidos não prejudica as exportações brasileiras para o mercado chinês. A avaliação é do chefe do Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Getúlio Pernambuco. ''A demanda por soja na China é crescente. Os chineses precisam da soja brasileira para suprir a necessidade interna'', afirmou.
Na segunda-feira passada, a China aprovou a certificação permanente da soja transgênica importada dos Estados Unidos, o que permite que tradings multinacionais com atividades no país importem soja livremente dos Estados Unidos. Outros países, entre eles o Brasil, precisam obter atestado de sanidade para cada carregamento.
Para comprovar a crescente demanda de soja por parte da China, Pernambuco citou números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na safra atual, 2003/04, a China deve importar 23 milhões de toneladas de soja em grão. Na safra 2002/03, foram 21,4 milhões de toneladas, mais do que o dobro do importado em 2001/02 (10,39 milhões de toneladas).
O Brasil ocupa a segunda posição no ranking dos principais exportadores de soja para a China, atrás dos Estados Unidos. Em 2003, os embarques de soja em grão, farelo e óleo de soja do Brasil para a China somaram 6,643 milhões de toneladas, sendo 6,101 milhões de toneladas de soja em grão, mostram dados do Ministério da Agricultura.
Em janeiro de 2003, a China concedeu ao Brasil certificado provisório que permite a importação de soja em grão do País, com validade até 20 de abril. No certificado, o governo brasileiro informa que a soja nacional é livre de organismos geneticamente modificados, mas admite que se houver oleaginosas transgênicas são da variedade Roundup Ready.
A China ainda não informou ao governo brasileiro se prorrogará o prazo de vigência do certificado atual ou se exigirá um novo modelo de certificação.

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