Agência Estado
A agricultura brasileira deve fechar o ano com uma queda na renda bruta em torno de 0,7%, ou cerca de R$ 500 milhões a menos do que no ano passado, enfrentando as costumeiras dificuldades de acesso ao crédito, aumento dos preços de insumos e incertezas em relação à performance da safra 1999/2000, que aponta um quadro de estagnação, sem falar na inevitável redução de alguns produtos, como o milho, em consequência da seca.
O uso de tecnologia nas lavouras também caiu: este ano, os produtores usaram menos 18,1% de fertilizantes e menos 7,2% de calcário em relação a 1998. O Brasil que, por falta de assistência técnica, não usa bem os fertilizantes, nesta safra terá mais um problema: o da quantidade insuificiente. Esse fator só será sentido no final da colheita, quando for constatada a queda de produtividade.
Uma avaliação do que foi o ano para a agricultura - e, por ampliação, para o setor de agronegócios -, feita pela CNA, mostra que foi necessário muito esforço e cacife político para romper dificuldades às vezes impostas pelo próprio governo, por desconhecer o setor e as consequências de suas medidas.
No setor externo, os resultados também não foram bons. Até outubro, a balança comercial do setor agropecuário registrou uma queda de aproximadamente US$ 1 bilhão nos valores das exportações, em consequência da redução dos preços médios das commodities.
Para a Confederação Nacional da Agricultura, no ano em que o setor agrícola, organizado pela entidade, conseguiu fazer uma das maiores mobilizações de sua história - colocando em Brasília mais de 2 mil caminhões e tratores e cerca de 15 mil produtores rurais - algumas vitórias, entretanto, podem ser contabilizadas, como a agenda mínima, a renegociação das dívidas, o projeto Conhecer, a questão da importação dos lácteos, taxação das exportações de soja, manutenção da Lei Kandir e outros.
Um documento denominado ‘‘Agenda Positiva Para a Agricultura’’ foi entregue ao Congresso e tornou-se a grande bandeira dos agricultores que acamparam em Brasília, em agosto, reivindicando o aumento na renda, soluções definitivas para o endividamento e o respeito ao direito de propriedade.
Pacto O documento propunha um pacto entre Governo, sociedade e agricultores: em troca de medidas que proporcionassem soluções para os problemas do campo, o setor se comprometia a gerar 1,5 milhão de empregos nos próximos 4 anos, aumentar em 25% a produção de grãos e elevar as exportações agrícolas para US$ 45 bilhões em 3 anos.
O endividamento não foi o ponto central da agenda. Na avaliação do presidente da CNA, Antônio Ernesto de Salvo, o grande problema da agricultura brasileira é a falta de renda e o endividamento a sua maior consequência. Mas o pior de tudo é a omissão do governo com relação a problemas de abastecimento e de divisas para a economia.

mockup