O CMN reduziu ontem as taxas de juros para a compra de máquinas agrícolas de 14,5% ao ano para 11,95% ao ano, sendo 9% de remuneração da fonte, que é o BNDES e 2,95% para o agente financeiro. A linha é de R$ 200 milhões, com prazo de cinco anos para pagamento, incluindo dois anos de carência.
Segundo o assessor do ministro da Fazenda para a área agrícola, Gerardo Fonteles, o voto incluiu uma novidade que é o financiamento de plantadeiras destinadas ao plantio direto, uma nova técnica que o Ministério da Agricultura pretende estimular. O flat, ou seja, o depósito que a indústria precisa recolher a um fundo para garantir flutuações dos juros que são prefixados, subiu de 3% para 4% sobre a venda.
O CMN também aprovou os preços mínimos das sementes para a safra 1998/99 com redução de cerca de 11% nas sementes de milho e os valores para produtos regionais como juta/malva e cera de carnaúba, com pequenas alterações. O preço mínimo da juta/malva passou de R$ 0,48 para R$ 0,50 por unidade e o do sisal de R$ 0,32 para R$ 0,38 a partir de agosto. Os últimos dois votos da área agrícola aprovados são do Programa de Crédito Emergencial da Reforma Agrária. Um deles fixa um extrateto de R$ 1 mil para os assentados da região de emergência da seca para custeio pecuário e o outro altera normas operacionais do programa.
Café O CMN aprovou medidas para conter movimentos especulativos de queda do preço do café em razão do tamanho da safra nacional, estimada em cerca de 34 milhões de sacas. Segundo o assessor do ministro da Fazenda, Gerardo Fonteles, o governo vai tomar todas as medidas para sustentar os preços do café e a partir da próxima semana as taxas de juros de todas as linhas de financiamento do setor terão taxas fixas de 9,5% ao ano. Até então, os empréstimos para colheita eram corrigidos pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 3% ao ano. Os cafeicultores poderão transformar os financiamentos de colheita e custeio em retenção do produto, com a substituição da garantia real pelo café, que deverá ser mantido nas propriedades ou armazéns. O preço-meta estabelecido pelo governo para o café é de R$ 150 a saca e os financiamentos serão de 70% do preço de mercado na data da contratação do empréstimo ou da retenção e de até 100% do preço garantido em operações de mercado futuro. Gerardo Fonteles afirmou que não há excedentes da safra que está sendo colhida, pois do total de 34 milhões de sacas estimadas, 18 milhões deverão ser exportadas, entre café verde e solúvel e de 11 a 12 milhões de sacas irão para o consumo interno. ‘‘Não há justificativa para movimentos especulativos’’, avaliou, dizendo que o interesse do governo é manter a renda agrícola do café e manter a performance do setor na balança comercial. Até o final deste ano deverão ser exportadas nove milhões de sacas de café com receita estimada em cerca de US$ 1,3 bilhão.

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