CMN prorroga financiamento para álcool e café
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Brasília - O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou ontem a prorrogação dos financiamentos de estocagem de álcool na Região Centro-Sul, o que deverá evitar o aumento da oferta e a queda dos preços do produto. Segundo o assessor especial para Assuntos Agrícolas do Ministério da Fazenda, Gerardo Fontelles, os produtores da região, que teriam de retirar de estoque cerca de 210 milhões de litros agora em janeiro e em fevereiro, poderão fazer essa operação somente nos meses de janeiro e fevereiro de 2005.
O produtor que optar pela prorrogação, no entanto, terá de pagar mais caro. Os encargos das operações passarão de 11,5% ao ano para taxa equivalente à variação média da taxa Selic no período mais a remuneração do agente financeiro que estiver bancando o financiamento.
O plano de estocagem foi implementado no ano passado, quando o setor sucroalcooleiro recebeu cerca de R$ 500 milhões para financiar a estocagem de 1 bilhão de litros 700 milhões no Centro-Sul e o restante na Região Norte-Nordeste.
O programa previa a liberação dos estoques entre janeiro e abril. A prorrogação abrange os vencimentos de janeiro e fevereiro da região Centro-Sul. ''As operações de março e abril estão mantidas e para a região Norte-Nordeste nada muda'', frisou Fontelles.
Luiz Carlos Correia de Carvalho, presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, órgão consultivo do Ministério da Agricultura, considerou a decisão do CMN como ''muito razoável'' já que ela possibilitará uma sustentação nos preços do combustível, em queda em plena entressafra. ''Houve uma produção recorde em 2003 e o consumo caiu com a recessão. Esse estoque feito é importante e a prorrogação das dívidas para a sua formação deve sustentar os preços'', disse.
As usinas do Centro-Sul do Brasil vão encerrar janeiro com um estoque 4 bilhões de litros de álcool em seus tanques. No dia 15 deste mês, segundo dados do Ministério da Agricultura, os estoques eram de 4,5 bilhões de litros, mas 500 milhões de litros são, em média, consumidos em uma quinzena.
O CMN prorrogou também o pagamento das parcelas de financiamento para operações de retenção, estocagem, custeio e colheita de café que venceram no final do ano passado e que vencerão ao longo deste ano. Segundo Fontelles, as operações de retenção e estocagem poderão ser prorrogadas em até 18 meses.
Para efetuar essa prorrogação, entretanto, o tomador do recurso terá de pagar 30% do valor previsto. No caso do custeio e colheita, o pagamento mínimo é de 10% do vencimento. A prorrogação atinge cerca de R$ 650 milhões dos R$ 800 milhões contratados com os produtores. A medida também ajudará a sustentar o preço de comercialização da saca de café no País.


