CMN libera contas em moeda estrangeira
Agência Estado
De São Paulo
O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, anunciou no início da noite de ontem que o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu permitir a abertura de contas em moeda estrangeira em bancos no País para empresas que venham a desenvolver projetos nas áreas de produção, exploração, processamento e transporte de petróleo e gás natural e na geração e transmissão de energia elétrica.
Segundo Gleizer, a idéia é que seja depositada nestas contas apenas a receita obtida com a exploração destes serviços, excluindo deste valor os custos que a empresa tem no País, como pagamento de impostos.
Ele lembrou que a medida dá maior condição de competitividade ao País frente a outros que já oferecem esta possibilidade. Estamos tentando eliminar um custo pelo fato de não termos a plena conversibilidade da conta de capital, disse. Segundo Gleizer, a idéia não é, no futuro, estender a abertura de contas em moeda estrangeira para todos os cidadãos.
O estudo que está sendo preparado pelo Banco Central sobre a formação dos juros brasileiros vai permitir a adoção de uma série de medidas que terá impacto na taxa somente daqui a um ano, informou o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo.
Ele reconheceu que as recentes medidas adotadas visando a redução dos juros ao consumidor final ainda têm reflexos muito pequenos. No prazo de 15 dias o governo reduziu a parcela dos depósitos à vista (de 75% para 65%) e a prazo (de 20% para 10%) que deve ser transferida para o governo compulsoriamente.
O diretor considerou positivo o fato de vários bancos já terem baixado os juros nos últimos dias, mas destacou que a queda dos juros faz parte de um processo, que está na fase final de diagnóstico para se levantar todos os fatores que impedem a redução das taxas de juros.
Além do compulsório, a cunha fiscal e os riscos inerentes às operações de crédito são componentes de peso no custo dos bancos. Figueiredo, entretanto, não quis adiantar algumas das medidas que poderão ser adotadas porque antecipá-las poderia prejudicar o resultado final.
O diretor disse ainda que o BC vai diminuir a oferta de hedge cambial de forma gradual. Só deixaremos de fazer leilão de NBC-E quando acharmos que isso não causará frisson no mercado, afirmou.





