BRASÍLIA - O volume de empréstimos concedidos por instituições financeiras a pessoas físicas cresceu 43,37% do início de outubro do ano passado até o último dia 20 de março, quando atingiu R$ 20,3 bilhões. O número foi divulgado ontem pelo Banco Central e é um sinal do aquecimento do consumo nos últimos meses, um dos assuntos que poderá ser analisado hoje pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Nos últimos dias, o governo vem analisando a necessidade ou não de conter o crédito como forma de frear o ritmo do consumo.
Só nos primeiros 20 dias de março, segundo o BC, o saldo dos empréstimos cresceu 2,92%. Houve aumento principalmente dos empréstimos pessoais e do crédito direto ao consumidor, conforme levantamento feito pelo Departamento de Acompanhamento do Sistema Financeiro (Deasf) do BC. O uso do cheque especial, outro tipo de empréstimo a pessoa física, também aumentou, mas em menor escala.
A demanda e a concessão de crédito a pessoas físicas pelos bancos e financeiras aumentou, apesar das altas taxas de juros. O BC reconhece que, apesar da queda da taxa básica de juros (aquela cobrada pelo BC nos seus empréstimos a bancos), os juros para a clientela dos bancos ‘‘continuam elevados’’.
A ausência de garantias reais no crédito a pessoas físicas - com exceção do financiamento de bens - explica em parte, segundo o BC, os altos juros. O custo médio do cheque especial e do crédito pessoal, por exemplo, foi de 7,76% e de 5,96%, respectivamente, informou o BC.
O documento do BC explica que as pessoas estão buscando mais crédito junto aos bancos, apesar das altas taxas de juros, por causa da ‘‘queda da inflação e do aumento da renda real’’. O crescimento verificado nos últimos seis meses não foi só em termos absolutos mas também em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em outrubro, os empréstimos de instituições financeiras a pessoas físicas correspondia a 1,64% do PIB. Em março, já tinha saltado para 2,2% do PIB. No geral, os empréstimos feitos por instituições financeiras (também a empresas) atingiram o saldo de R$ 79,5 bilhões em 20 de março.

mockup