CMN deve manter inflação em 4,5% para 2005
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segunda-feira, 28 de junho de 2004
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília - Dificilmente o Conselho Monetário Nacional (CMN) irá alterar, em sua reunião de amanhã, a meta de inflação para 2005, fixada em 4,5% pelo IPCA. Na visão da equipe econômica, a proposta do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), de elevar a meta para 5,5% e dar, com isso, condições de crescimento da economia, não é correta. ''Não há uma relação direta entre o aumento da meta e a aceleração econômica'', disse uma fonte da equipe econômica. De acordo com a fonte, o efeito de uma elevação da meta poderia até ser contrário, uma vez que a inflação desorganiza a economia e tira a previsibilidade dos investimentos. ''Sem previsibilidade não há investimento. Sem investimento, não há crescimento'', disse.
''Se hoje as expectativas estão em torno de 5,5%, elas poderão passar para 6% ou mais com a mudança da meta'', disse outra fonte consultada. Isso, por sua vez, poderia resultar em aumento efetivo dos preços acima do desejado. Neste sentido, a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês deixou claro que o Banco Central não será leniente com uma taxa de inflação maior no próximo ano. ''Isto já pode ser visto como um sinal claro de que a meta de 2005 não será alterada'', disse um analista de mercado.
Outro ponto da ata destacado pelo mesmo analista foi o fato de o Copom ter ressaltado que suas projeções para o ano que vem se encontram abaixo dos 4,5% do centro da meta. ''Se a inflação projetada está abaixo do centro da meta, não haveria sentido falar no aumento de 4,5% para 5,5%'', disse o analista.
O raciocínio é o mesmo usado pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, realizada em março, na qual ressaltou que o preço de trazer as projeções de inflação de 2005 para valores abaixo da meta já havia sido pago. ''O maior custo que pagamos foi a desinflação e este custo nós já pagamos'', disse Meirelles naquela ocasião.
Os sinais sobre a definição da meta de inflação de 2006 são menos claros. Uma parcela do mercado acredita que a meta de 2006 deverá ficar nos mesmos 4,5% de 2005. ''Seria uma sinalização importante de compromisso do governo com a estabilidade de preços'', disse o analista. Estabilidade que é vista pela equipe econômica do governo como condição para garantir uma melhoria da renda da população. ''A inflação prejudica a renda'', disse uma fonte da equipe econômica. A renda, por sua vez, é precondição para o aumento do consumo doméstico e a consequente elevação dos investimentos para atender a um eventual aumento da demanda interna. Com os investimentos, o governo espera consolidar o processo de retomada do desenvolvimento econômico.


