São Paulo - O governo deverá manter a meta de inflação de 4,5% em 2014, ao fim da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) no dia 28. Para especialistas ouvidos pela Agência Estado, a gravidade da crise internacional, sobretudo na Europa, tornou-se um dos principais fatores que levarão o Brasil a ter uma expansão abaixo do potencial de crescimento por um ano, do início do segundo semestre de 2011 até o fim deste mês.
''O mundo passa por uma fase extraordinária de desinflação que deve durar por mais dois anos'', comentou o ex-secretário de Política Econômica Luiz Gonzaga Belluzzo. ''Não se deve ver a meta de inflação como um fetiche. Mas, em tempos extraordinários de desinflação global, esse objetivo não deve mudar.''
O CMN é formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central. Procurados pela reportagem, preferiram não se pronunciar. Na avaliação dos economistas entrevistados pela Agência Estado, mudar a meta de inflação é uma decisão duradoura e não pode ocorrer em tempos sem precedentes de economia global em desaceleração, marcados por recessão na zona do euro e ameaça de implosão da união monetária da região.
''Com a fraqueza do nível de atividade no mundo até o fim de 2014, o que já levou o Fed a declarar que as taxas de juros nos EUA ficarão perto de zero nesse período, o Brasil não vai crescer muito mais de 3,5% ao ano nos próximos dois anos'', comentou a professora da PUC-RJ e diretora da Casa das Garças, Monica Baumgarten de Bolle. Ela e outros especialistas, como o economista-chefe da LCA, Braulio Borges, acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) potencial está ao redor de 4%.
''A meta de 2014 será de 4,5%. Mas que diferença isso faz? O governo já não está seguindo a meta mesmo'', comentou Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC. Segundo ele, o Poder Executivo tem outras prioridades, como expansão do PIB e câmbio administrado num certo nível, talvez ao redor de R$ 2, para ajudar a indústria.
Na opinião de Monica de Bolle, a forte ação do governo, com estímulos fiscais e queda da Selic para até 7,5%, deve reforçar a economia a partir do segundo semestre, o que deve viabilizar uma expansão de 4% a 4,5% em 2013. Porém, o aquecimento do nível de atividade deve levar o IPCA a superar a meta novamente no próximo ano, ficando entre 5,5% e 6%.
Eleições em 2014
As eleições presidenciais de 2014 são um dos elementos que levam especialistas a acreditar que o CMN manterá a meta de inflação para 2014 em 4,5%, já que em períodos eleitorais governantes sempre fazem o máximo para puxar o crescimento e a criação de empregos.
''Como as diretrizes econômicas são determinadas pela presidente Dilma Rousseff, não há dúvida de que o calendário político-eleitoral é um fator importante para essa decisão do CMN'', afirmou Tony Volpon, diretor de pesquisa para mercados emergentes da América Latina da Nomura Securities. Para ele, o Ministério da Fazenda acredita que, se a meta de inflação for reduzida, a Selic terá de ser maior, o que certamente afetará o nível de expansão do PIB numa economia já combalida.

mockup