O Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou na semana passada as diretrizes para a utilização dos recursos destinados à Linha Especial de Crédito (LEC) para a citricultura. Estabelecida pelo Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012, lançado em junho, a medida prevê um aporte de R$ 300 milhões para financiamento dirigido à formação de estoques de suco de laranja.
De acordo com a regulamentação da CMN, cada indústria ou cooperativa poderá contratar até R$ 80 milhões para aquisição da fruta que será processada e armazenada na safra 2011/2012. O preço mínimo de referência para a laranja será R$ 10 por caixa de 40,8 kg e os estoques formados com o crédito deverão ser comercializados em até um ano.
Na avaliação do superintendente de negócios da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, José Cícero Aderaldo, a ação do governo visa apoiar o setor citrícola, que não dispõe de instrumentos para apoio da comercialização e nem está incluso na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). ''Estamos enxergando essa iniciativa do governo como uma tentativa para apoiar o setor, e deve ser bem-vinda e ampliada'', comenta.
De acordo com Aderaldo, a ação do governo passou a interferir no mercado nos últimos dias, mas não é o principal motor de aumento de preços da commodity. ''O motor do reajuste no mercado internacional foi a quebra de safra que houve no ciclo passado, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, os maiores produtores de suco de laranja do mundo'', argumenta. Atualmente, o preço pago pela indústria paranaense é de, em média, R$ 10 pela caixa.
Aderaldo explica que o atual baixo estoque do produto no Brasil e no exterior, somado à perspectiva de que a safra brasileira não consiga elevar esse volume, criou uma previsão de pressão sobre os preços. O suco concentrado e congelado (FCOJ) atingiu recordes dos últimos quatro anos de contratos futuros na Bolsa de Nova York, quando passou de US$ 2.800 por tonelada.
No entanto, o superintendente afirma que a ameaça de clima ruim nos Estados Unidos, com a aproximação da temporada de furacões, e os baixos estoques, ainda não geraram pressão no mercado físico. ''Há alguma ansiedade por parte dos compradores em fechar negócios para a próxima safra, mas dentro de um processo normal de negociação e com preços relativamente estáveis em relação ao ciclo anterior'', relata.
Estoques
Nos Estados Unidos os estoques de FCOJ em 31 de maio somavam 864,48 mil libras, 39,7% a menos que no mesmo período de 2010. Os dados são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. No Brasil, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) aponta que os estoques de suco caíram 47,25% nos últimos dois anos, devido à redução da produção.
Por outro lado, a estimativa para a safra de laranja do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo Mineiro é a maior desde 2004: 387 milhões de caixas de 40,8 kg. No Paraná, a previsão é de colheita de 14 milhões de caixas, volume entre 5% a 8% maior do que a safra passada.
De acordo com o superintendente da Cocamar, a hipótese é de que a grande safra desse ano contribuirá para recomposição dos estoques, porém não formará um grande excedente. ''Esses recursos que poderão ser emprestados pelo governo poderão auxiliar nesse sentido, porém, há de se enfatizar que o setor citrícola sempre se financiou no mercado internacional, onde as taxas de juros são menores que as vigentes no mercado brasileiro'', argumenta. Para Adelardo, não há certeza de que o setor utilize a nova linha de crédito disponibilizada.

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