O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou anteontem financiamento de R$ 270 milhões, proveniente de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), com juros de 9,5% ao ano para os produtores de café. Desse total, segundo o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Cesar Samico, R$ 200 milhões se destinam a custear as lavouras do período 2000/2001, cujo cultivo começa em maio do ano que vem, e R$ 70 milhões são para socorrer os produtores que tiveram seus cafezais prejudicados pelas geadas que ocorreram no final de julho passado. Nesse último caso, os recursos serão usados para poda dos pés de café prejudicados e recuperação da capacidade produtiva das lavouras.
O limite de crédito para os produtores, nas duas modalidades, será de R$ 1.000,00 por hectare de cafezal, respeitado o máximo de R$ 100 mil por produtor, sendo que a contratação das operações junto ao Banco do Brasil poderá ser feita até o dia 29 de dezembro próximo. No caso dos empréstimos para custeio da próxima safra, 70% serão liberados no ato da contratação e os restantes 30% no período de janeiro a maio de 2001.
Para os cafeicultores prejudicados pelas geadas, 60% serão autorizados no ato da contratação e 40% no período de janeiro a maio do ano que vem. Conforme a resolução do Banco Central o crédito deverá ser pago em uma única vez, no prazo de 45 dias a contar do término da colheita. Os recursos deverão estar disponíveis a partir da próxima semana nas agências do Banco do Brasil.
Samico informou que o CMN também aprovou a prorrogação dos financiamentos concedidos para colheita no início deste ano. Segundo Samico, essa prorrogação se dará através da transformação desses créditos em pré-comercialização. No total, segundo ele, serão transformados em pré-comercialização R$ 110 milhões do total de R$ 150 milhões que foram emprestados no início do ano.
Para se beneficiar da medida o produtor terá que amortizar 10% do débito, devendo resgatar o restante em três parcelas: 25% do saldo devedor até 30 de abril de 2.001; 35% do saldo devedor até 31 de maio de 2.001; e o saldo remanescente até 29 de junho do ano que vem.
Samico explicou que essas medidas visam dar um alívio para o produtor, especialmente aqueles que tiveram suas plantações prejudicadas pelas geadas, como ocorreu com o Paraná, onde as perdas foram de 85% do plantio. A intenção, segundo ele, também é a de propiciar o reordenamento da oferta interna do produto.

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