CMN analisa apoio à suinocultura
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Alexandre Inacio<br> Agência Estado 
Brasília - O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve votar na próxima semana quatro medidas de apoio à suinocultura. O Ministério da Agricultura já encaminhou para o conselho a aprovação da Linha Especial de Comercialização, outra para retenção de matrizes, a autorização para que produtores integrados se utilizem de Empréstimos do Governo Federal (EGF), o que atualmente não é permitido, e a troca das garantias dos EGFs de milho por carne suína.
''O máximo que o governo pode fazer ele está fazendo'', disse o secretário de Política Agrícola do ministério, Edílson Guimarães, ao término da quinta reunião realizada com produtores e representantes das indústrias.
Os suinocultores insistem na criação de um preço mínimo de referência para o setor, já que a cadeia não faz parte da Política de Garantias de Preços Mínimos (PGPM). Os produtores acreditam que, dessa forma, os preços poderiam reagir e dar o fôlego necessário ao setor. ''Temos que quebrar esse mito do preço mínimo. Os suínos precisam entrar nessa política e o governo incluir a carne suína nos programas sociais que atual'', afirma o deputado federal Moacir Micheletto (PMDB-PR).
Na avaliação de Rubens Valentin, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), a estrutura do setor precisa passar por uma reformulação. Segundo ele, modelos econômicos saudáveis funcionam em um mercado onde existem muitos vendedores e muitos compradores. ''Em nossa cadeia temos muitos vendedores e poucos compradores'', disse o representante dos produtores.
Mesmo com a insistência do setor produtivo de incluir os suínos na política de preços mínimos, o governo ainda tem se mostrado cauteloso em adotar uma postura definitiva. Para o assessor de assuntos agrícolas do Ministério da Fazenda, Gerardo Fontelles, a agenda está aberta para a discussão do assunto, mas essa não é a única alternativa existente para resolver um problema conjuntural de preços. ''Existem outros mecanismos mais eficientes que poderiam solucionar o problema'', disse.
O preço mínimo para os suínos também não é a melhor opção na avaliação das indústrias. Segundo Jurandir Machado, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadores de Carne Suína (Abipecs), esse foi um plano que não funcionou no passado e que não tem motivos para funcionar na atualidade. ''Quem vai carregar esses estoques? Posso afirmar que não é a indústria. A medida pode até ajudar, mas não vai resolver o problema de mercado'', disse.
Apesar da indefinição e das divergências nos interesses, ficou agendada para a próxima quinta-feira (31) uma nova reunião em Brasília para o assunto volte a ser discutido. ''Faremos quantas reuniões forem necessárias e o preço mínimo estará na pauta em todas'', disse Guimarães.


