Clubhouse é espaço 'aberto' para discussões construtivas
Rede social de voz ganhou destaque no início deste mês, quando celebridades como Elon Musk participaram de conversas nas salas do aplicativo disponível apenas para a plataforma Apple
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sábado, 20 de fevereiro de 2021
Rede social de voz ganhou destaque no início deste mês, quando celebridades como Elon Musk participaram de conversas nas salas do aplicativo disponível apenas para a plataforma Apple
Reportagem local 
A rede social de voz Clubhouse ganhou a simpatia de nomes como Elon Musk, e desde então o número de usuários só faz crescer. O movimento ascendente da rede começou no início deste mês, quando foi ventilado que o bilionário Elon Musk, dono da Tesla, teria participado de uma conversa com o presidente-executivo do aplicativo de investimentos Robinhood, Vlad Tenev, na plataforma.

Segundo o Google, na última semana, de 30 de janeiro a 6 de fevereiro, o interesse por Clubhouse no mecanismo de busca saltou seis vezes no Brasil em comparação com a semana anterior. O crescimento percentual foi de 525% nas buscas pelo termo no mesmo período.
No Twitter, foram cerca de 100 mil tuítes sobre o tema nas últimas 24 horas no Brasil. No dia 2 de fevereiro, a empresa de análise de dados Sensor Tower disse que havia cerca de 3,6 milhões de downloads do aplicativo em todo o mundo, com 1,1 milhão nos seis dias anteriores.
Diferente de outras redes que têm fotos e vídeos como o maior apelo, o Clubhouse é caracterizado por "salas" onde os usuários conversam exclusivamente por voz. As conversas, no entanto, não ficam gravadas na plataforma.
Quem entra nas salas não necessariamente precisa participar da conversa. Se preferir, pode apenas ouvir o que os outros têm a falar. Se quiser se comunicar, basta "levantar a mão" e aguardar os palestrantes permitirem a participação.
Por isso mesmo, a rede social se tornou o que o advogado e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, Ronaldo Lemos, considerou uma plataforma para diálogos "construtivos e epifânicos, que lembram os primórdios da internet".
Nas salas do Clubhouse, as pessoas podem ter a sorte de topar com pessoas como Drake, Oprah Winfrey, Mark Zuckerberg, Takashi Murakami e Anitta, e ouvi-las sem precisar pagar uma fortuna por uma palestra.
Para Lemos, a sensação é de proximidade com as celebridades. "Como as salas têm no máximo 5.000 pessoas, a sensação de proximidade se materializa, conjugada com sensação emocional provocada pela voz e pelos ruídos de fundo da vida cotidiana (bebês chorando, movimento da casa, sirenes etc.)."
Por outro lado, os usuários da plataforma fazem hoje parte de uma bolha, diz o diretor, já que apenas adeptos da marca Apple podem acessar. O Clubhouse ainda não está disponível para a plataforma Android, e só entra quem recebe um convite.
Também há preocupações em relação à moderação na plataforma. No ano passado, eles tiveram problemas com conversas sobre antissemitismo, por exemplo", diz Roberta Batiste, pesquisadora do Instituto Liberdade Virtual.
IDEIAS E AMIZADES
O Clubhouse foi criado no início de 2020 por Rohan Seth, ex-funcionário do Google, e por Paul Davidson, empresário do Vale do Silício, e se autodescreve como um "novo tipo de produto social baseado na voz, permitindo que pessoas em todos os lugares falem, contem histórias, desenvolvam ideias e criem amizades ao redor do mundo".
No fim de janeiro, os fundadores da rede confirmaram que levantaram novos fundos, mas não revelaram quanto. Um relatório do site tecnologia The Information afirmou que a empresa se aproximava de virar um unicórnio – forma como são chamadas empresas iniciantes que atingem avaliação de US$ 1 bilhão. Em julho de 2020, a empresa estava avaliada em US$ 100 milhões.
O sucesso dos Clubhouse incitou concorrentes, que já lançam no mercado ferramentas semelhantes. O Twitter, por exemplo, já lançou o Spaces, e há rumores de que o Facebook já estaria desenvolvendo sua versão do app.(com Folhapress)


