Cliques que conectam a tendências
Fernanda Galão Pessoa, de 16 anos, tem o hábito de acompanhar blogs e sites para se inteirar das novidades, principalmente em roupas, calçados e maquiagem, além de estar sempre atenta às amigas, que também não gostam de ficar para trás no que se refere a tendências. Fernanda tem preferência por marcas do Brasil e Estados Unidos, mas costuma comprar as marcas americanas diretamente no país de origem, quando ela ou algum familiar viaja para lá. ''Estou sempre ligada porque gosto de acompanhar a moda'', admite. A mãe da adolescente, Tânia Galão Pessoa, relata que a filha prefere modelos básicos, mas tem que ser de grife. Os gastos, segundo ela, são bastante elevados.
Usuária assídua da web, a adolescente conta com um computador só para ela em seu quarto. ''Embora esteja sempre conectada para seguir as tendências, não compro as minhas coisas pela internet porque prefiro ir às lojas'', diz. O aparelho celular é outro produto que não escapa aos olhos da adolescente, que afirma usar o aparelho com frequência, principalmente para ligações e mensagens. A cada dois anos, pelo menos, Fernanda troca o aparelho por outro mais moderno. Ela conta que ganhou seu primeiro celular quando tinha cerca de 9 anos.
Na casa de Camilla Veronesi as regras para uso da internet divergem da grande parte das residências que têm adolescentes. Em vez do computador ficar no quarto dos filhos, está instalado na sala principal. ''Eles cresceram sabendo que era um instrumento público que deveria ser usado com supervisão nossa (pais)'', explica a mãe. ''Não queremos que eles se tranquem no quarto e criem uma situação isolada'', completa.
Camilla, que veio da Itália há aproximadamente 10 anos, remete o costume familiar ao estilo europeu. Ela estranha que no Brasil seja comum os adolescentes terem seus próprios computadores, seguindo a cultura dos Estados Unidos. ''Aqui é normal, mas a Europa é mais lenta neste sentido. O computador não faz parte do dia a dia do adolescente como no Brasil'', compara. Ela acredita que por manterem um vínculo com os costumes daquele país por meio de familiares, é mais fácil estimular os filhos a usarem a internet com moderação.
Com relação ao consumo, a mãe admite que os três causam gastos, mas com um pouco mais de equilíbrio que muitos outros adolescentes ''reféns da moda'' que integram o seu círculo de conhecidos. Os filhos: Bianca, 15 anos; Pietro, 18 e Cárola, 20, não são tão ligados a marcas, mas têm algumas peças que estão na moda. ''Eles são comedidos, mas mesmo assim gastam mais do que eu. Muitas vezes tenho que escolher entre mim e eles. É um gasto exponencial que de repente não teremos mais porque eles se tornarão independentes. Faz parte desta fase'', afirma.
A filha caçula conta que não se deixa levar por lançamentos. ''Costumo comprar o que está na moda apenas se eu gostar e valer a pena. Uma coisa ou outra eu compro, mas não para seguir a tendência. Penso no que eu quero comprar e não no que os outros vão pensar'', diz Bianca. (A.V.)





