O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, vai participar da reunião entre ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais dos sete países mais ricos do mundo e de 15 países de economia emergente, na segunda-feira, em Washington. Ontem, Clinton disse que ‘‘não temos de ter uma recessão mundial, se aqueles que agora experimentam crescimento tomarem a iniciativa e agirem’’. Ele afirmou que talvez seja preciso criar ‘‘um novo mecanismo, ancorado no Fundo Monetário Internacional, para prover financiamento que ajude países a se livrarem do contágio’’ (da crise internacional). O secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, em entrevista coletiva, se recusou a comentar como esse mecanismo poderá operar e quanto dinheiro ele terá condições de oferecer a países que precisem de auxílio, como o Brasil.
Rubin ouviu várias perguntas de jornalistas brasileiros sobre como os EUA pretendem ajudar o Brasil. Mas se limitou a responder uma frase feita: ‘‘A comunidade internacional apóia o programa de reformas do presidente Cardoso. Isso é tudo que eu tenho a dizer agora’’.
Ele ignorou uma pergunta sobre se o valor do pacote planejado para o Brasil será de US$ 30 bilhões. Depois da coletiva, Rubin se reuniu com o ministro Pedro Malan (Fazenda).
Clinton anunciou que está mandando ao Brasil, Argentina e México, na semana que vem, o presidente do Eximbank, Jim Harman, para estudar maneiras para facilitar linhas de crédito de curto prazo para que empresas norte-americanas possam manter suas exportações para esses três países. Foi a única medida concreta que o presidente dos EUA, ou qualquer outra autoridade do seu governo, revelou ontem no campo da ajuda aos países latino-americanos em risco de ‘‘contágio’’.
Clinton enfatizou as sugestões que fizera no mês passado em Nova York como fórmula para tirar o mundo da sua ‘‘mais grave crise financeira em 50 anos’’. Ele disse que cabe aos EUA o papel de assumir liderança para restaurar a confiança do investidor e a estabilidade do sistema financeiro mundial.
Mas o principal ponto enfatizado tanto por Clinton quanto por Rubin foi a necessidade de o Congresso dos EUA aprovar a liberação de US$ 14,5 bilhões para integralizar a quota norte-americana no aumento de capital do FMI (Fundo Monetário Internacional). Os Estados Unidos são o único entre os países mais ricos do mundo que não aprovaram sua quota.
Mas as chances de que a Câmara dos Representantes (deputados) dos EUA aprove essa quantia parecem pequenas, embora elas ainda existam. Embora a liderança do Partido Republicano (de oposição) afirme apoiar a medida, ela não está empenhada em fazer com que os deputados do partido a aprovem. Os líderes da oposição dizem ainda que o próprio Clinton, em vez de reclamar do Congresso, deveria estar trabalhando mais pela aprovação da medida.
O secretário Robert Rubin disse que os Estados Unidos vão defender neste fim-de-semana a criação de mecanismos pelos quais o FMI dê aos investidores mais acesso a informações sobre as situações econômica, fiscal e monetária dos países-membros.
Rubin diz que devem ser aprovados acordos internacionais para aumentar o conhecimento público das atividades de todas as instituições financeiras, inclusive as de fundos de ‘‘hedge’’.

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