O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, elogiou ontem seu colega brasileiro Fernando Henrique Cardoso pelas as medidas ‘‘dolorosas mas efetivas’’ tomadas pelo Brasil após a crise econômica na Ásia. Boa parte dos 40 minutos da conversa que os dois tiveram ontem à noite em Santiago do Chile, onde participaram da Conferência das Américas, foi dedicada a uma revisão da conjuntura econômica brasileira.
Clinton quis saber como as decisões foram tomadas. Após a discussão sobre economia (que o assessor de segurança nacional de Clinton, Sandy Berger, chamou de ‘‘extensiva’’), os dois presidentes trocaram impressões sobre os sistemas de previdência social no Brasil e nos EUA.
A questão do desemprego também foi levantada e Clinton relatou a FHC como cidades norte-americanas (como Detroit e Cleveland) enfrentaram esse problema. Sobre Cuba, Clinton disse a FHC achar importante que ‘‘todos os países do continente enviem uma mensagem consistente a Castro sobre a importância de uma transição para a democracia, ainda que isso possa ser dito em diferentes maneiras’’, segundo Berger.
O último assunto da conversa foram os incêndios em Roraima. FHC afirmou que o dano na floresta amazônica não foi tão grande quanto se temia e que o problema havia se agravado por causa do fenômeno climático El Ni¤o. Clinton contou a FHC as tragédias meteorológicas também provocadas por El Ni¤o nos EUA.
De acordo com o relato de Berger, FHC fez elogios à atuação de Thomas McLarty, o assessor especial de Clinton para a América Latina e principal coordenador, do lado norte-americano, da Cúpula das Américas. Tem-se como certo em Washington que McLarty deixará o governo nas próximas semanas para voltar a suas atividades como empresário (ele tem uma empresa de gás natural).
O presidente norte-americano teve ontem três encontros bilaterais: com FHC, com o primeiro-ministro canadense Jean Chrétien e com o o presidente argentino Carlos Menem. O mais longo foi com FHC. Além disso, conversou com o presidente mexicano Ernesto Zedillo durante o almoço.
No discurso de abertura da Cúpula, Clinton agradeceu a ajuda de FHC, Zedillo e do chileno Eduardo Frei na preparação do encontro. Na primeira reunião de trabalho, sobre educação, o presidente dos EUA se referiu à visita que fizera em outubro à escola da Mangueira, no Rio, que citou como exemplo de experiência bem sucedida.
Problemas do ABC O presidente Bill Clinton, ofereceu ao presidente Fernando Henrique Cardoso ajuda para evitar que aconteça no ABC paulista o que ocorreu nas regiões industriais de Cleveland e Detroit. As duas cidades norte-americans demoraram 20 anos para se recuperar do desemprego causado pela modernização dos parques das grandes indústrias e montadoras.
‘‘Combinei com o presidente Clinton que, se for aos Estados Unidos para a reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre narcotráfico, almoçaremos juntos para que ele me ajude a encontrar subsídios que reduzam o impacto das mudanças na economia do ABC’’, disse o presidente Fernando Henrique.
‘‘Nos propusemos a conversar mais sobre a questão das grandes cidades, sobre um programa para reconstruir as cidades, criar mais serviços e outros tipos de economia’’, contou Fernando Henrique. Segundo ele, Clinton quer oferecer ao Brasil experiências para possam evitar o caos econômico verificado em Detroit. ‘‘Cada vez eu tenho mais o sentimento de que o presidente Clinton é realmente um homem de cabeça aberta’’, disse o presidente brasileiro.

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