Paulo Sotero
Agência Estado
O presidente Bill Clinton sancionou ontem (22) uma lei que concede US$ 69 bilhões em subsídios à agricultura e inclui um recorde de US$ 8,7 bilhões em pagamentos diretos a fazendeiros atingidos por enchentes, secas e preços baixos no mercado internacional. Este é o segundo ano consecutivo em que Washington socorre os fazendeiros desde a adoção, em 1996, da ‘‘Lei de Liberdade na Agricultura’’, que desregulamentou o setor e, supostamente, acabou com os esquemas tradicionais de proteção aos agricultores. No ano passado, eles receberam US$ 5,3 bilhões em assistência federal a título de pagamentos compensatórios por perdas provocadas por problemas climáticos e preços internacionais.
O presidente da Comissão de Agricultura do Senado, o republicano Richard Lugar, de Indiana, previu esta semana que, se os preços das commodities agrícolas não se recuperarem no ano que vem, o Congresso fará nova operação de socorro. Os críticos da desregulamentação disseram que o fato de o governo federal continuar a ter que intervir e salvar fazendeiros e empresários agrícolas americanos mostra que a lei de 1996 não funcionou e precisa ser reconsiderada.
‘‘Nós não podemos continuar a ter uma política agrícola que vai tropeçando de um desastre a outro’’, afirmou o senador Tom Harkim, democrata de Iowa. Funcionários da administração Clinton esclareceram ontem que a concessão desse tipo de ajuda aos agricultores não conflita com a proposta dos fins dos subsídios às exportações agrícolas que o governo americano defenderá na próxima rodada de negociações das leis de comércio internacional na Organização Mundial de Comércio: embora coloquem os produtores dos EUA numa posição de vantagem, especialmente em relação aos seus concorrentes for a da União Européia, como os brasileiros, tecnicamente o socorro concedidos ontem por Clinton bem como as outras formas de apoio à agricultura contidas na lei que ele aprovou, representam subsídios à produção e não à exportação.

mockup