Clinton apressa acordo com China
COMÉRCIO BILATERAL
Clinton apressa acordo com China
DEBORAH MCGREGOR
de Washington
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, está pronto para enviar um projeto de lei, considerado crucial para o comércio com a China, ao Congresso.
Com ele, Clinton dá início a uma batalha de alto risco para conquistar aprovação para uma das iniciativas de comércio externo mais importantes de sua presidência.
O projeto de lei, que estabelece relações comerciais permanentes com a China, é considerado um elemento essencial para a adesão da China à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Os Estados Unidos estão de olho nos cobiçados mercados de telecomunicações e de serviços bancários da China, que possuem um grande potencial de crescimento.
A decisão de Clinton de levar o projeto adiante -mesmo com bolsões de resistência significativos no Congresso- é um risco calculado.
Ele espera que o forte apoio da comunidade de negócios à garantia dos benefícios obtidos com o tratado bilateral de comércio, assinado com a China no ano passado, ajude a pressionar os republicanos. Eles detêm a maioria do Congresso e seria muito importante que apoiassem a medida.
Clinton acredita ainda que um grupo pequeno, mas feroz de inimigos do livre comércio , em seu Partido Democrata não consiga obter apoio suficiente para torpedear a legislação em sua passagem pela Câmara dos Deputados.
Mesmo com as recentes declarações belicosas da parte de líderes republicanos que se irritaram com as ameaças que a China vem fazendo a Taiwan , parece ter havido uma mudança de tom que aumenta as chances de sucesso de um tratado de comércio permanente com os chineses.
Trent Lott, o líder da maioria republicana no Senado, acaba de sinalizar que acredita que o órgão esteja pronto a agir com rapidez sobre o projeto de lei.
Lott pareceu ter recuado de suas declarações anteriores, alegando que, embora as ameaças chinesas contra Taiwan não ajudem a causa da construção de relações comerciais normais entre a China e os Estados Unidos, isso não deve ser obstáculo para um projeto capaz de render benefícios significativos para os trabalhadores norte-americanos.
Não vou me concentrar nas ameaças contra Taiwan, disse Lott, sugerindo que pressionaria outros membros a agir da mesma forma.
Lott indicou também que acreditava que os membros do Congresso estavam suficientemente informados sobre o tratado e podiam votá-lo, sem esperar pelo acordo formal de adesão da China à OMC, que ainda está sendo negociado.
O líder republicano disse que alguns congressistas desejam que o acordo avance antes que a União Européia conclua suas negociações com a China.
Seria útil que o acordo da União Européia fosse decidido logo, disse Lott. Mas qualquer coisa que eles obtenham de mais positivo do que o que temos, terminaria por nos beneficiar de qualquer forma... Podemos avançar sem isso.
De maneira semelhante, os líderes republicanos da Câmara estavam parecem mais otimistas do que já foram. Pretendo e espero aprovar o projeto, disse o deputado Dick Armey, líder da maioria republicana na Câmara. O acordo será bom para o país.
O acordo comercial da China com os EUA, firmado no ano passado que inclui muitas vantagens aos norte-americanos abriu os olhos de muitos políticos e empresários do país.
Apesar de não gostarem da ameaça a Taiwan, um bom relacionamento com a China significa criar um mercado imenso para vários setores norte-americanos, principalmente os dedicados a serviços. No entanto, ninguém sabe exatamente como a China reagirá às expectativas dos EUA.





