O presidente dos EUA, Bill Clinton, ameaçou o governo de Tóquio com represálias comerciais no último dia de sua visita ao Japão. No final da tarde de ontem, Clinton partiu de Tóquio para Seul, na Coréia do Sul. Num discurso a empresários japoneses, Clinton disse que, quando a crise na Ásia começou, ‘‘nós fizemos tudo o que pudemos para deixar os mercados norte-americanos tão abertos quanto possível, sabendo que isso significaria que nosso déficit comercial cresceria por um ano ou dois. Mas, se existir a percepção de práticas comerciais injustas, esse consenso vai desaparecer’’. Clinton referia-se ao crescente superávit comercial do Japão depois da crise asiática.
Numa atitude infeliz sob o ponto de vista estratégico, o Ministério de Finanças do Japão anunciou ontem que o superávit comercial do País com o resto do mundo cresceu em outubro pelo 19º mês consecutivo. Com os EUA, o superávit comercial japonês cresceu pelo 25º mês consecutivo.
O Japão diz que isso decorre da queda de importações e não do aumento das exportações. Essa explicação, no entanto, não reduz a ira norte-americana. Mais tarde, numa entrevista conjunta com o primeiro-ministro Keizo Obuchi, o presidente disse estar ‘‘muito preocupado’’ com a possibilidade de um sentimento protecionista crescer se o Japão falhar em estimular a demanda interna no país.
Setores industriais dos EUA - principalmente o siderúrgico - têm pressionado o governo Clinton para que adote atitudes protecionistas contra o Japão. Os atritos comerciais entre os dois países foram o único assunto instigante de uma viagem marcada pela falta de interesses objetivos.
Nenhum acordo foi fechado entre os dois chefes de governo nem entre o subsecretário do Tesouro dos EUA, Lawrence Summers, com autoridades japonesas. Os dois países estão em conflito aberto há quinze dias, desde que o Japão rejeitou uma proposta dos EUA para acelerar a redução de tarifas nos setores pesqueiro e madeireiro. A proposta seria apresentada à reunião da Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico) em Kuala Lumpur, na Malásia, que acabou nessa semana sem nenhum resultado no campo da liberalização comercial.

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