Clima seco deve derrubar safra de café
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sexta-feira, 22 de abril de 2005
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília A produção de café na safra atual, 2005/06, deve somar 32,46 milhões de sacas de 60 quilos, queda de 16,1% na comparação com a colheita de 38,6 milhões de sacas do ano-safra anterior, mostram números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O clima seco em Rondônia, Paraná e São Paulo prejudicou a safra, que começou a ser colhida no mês de abril em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. A bianualidade da cafeicultura também determinou a redução na colheita.
A estimativa divulgada ontem é a segunda para a safra. Em dezembro, quando divulgou sua primeira previsão, a Conab indicou produção entre 30,7 e 33 milhões de sacas de café na safra 2005/06. O diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Vilmondes Olegário da Silva, avaliou que a queda na produção não afetará o ritmo de exportações. A iniciativa privada estima faturamento de US$ 3 bilhões com os embarques de café verde e solúvel em 2005, previsão que está mantida, informou o governo. No ano passado, as exportações de café verde e solúvel renderam US$ 2,5 bilhões ao País.
A elevação dos preços internacionais do café compensará uma possível queda nos volumes embarcados. De acordo com o diretor, os preços do café estão em alta no mercado internacional, resultado da oferta inferior à demanda. O último número da Organização Internacional do Café (OIC) indica consumo mundial de 114 milhões de sacas, contra produção de 106 milhões de sacas neste ano. A diferença é suprida com grãos estocados de safras anteriores. Ele descartou o risco de desabastecimento interno.
A elevação dos preços internacionais do café permitirá que os produtores invistam em tecnologia, comentou o diretor de logística e gestão empresarial da Conab, Sílvio Porto.
Na safra atual, 2005/06, a produtividade dos cafezais foi estimada em 17,47 sacas por hectare. Porto disse que se o clima favorecer a produção de café na safra 2006/07 poderá chegar a 40 milhões de sacas. De acordo com Porto, a produção maior no próximo ano será destinada à recomposição dos estoques mundiais.


