Vânia Casado
De Curitiba
O Brasil poderá ter uma quebra de produção na safra de soja de um a dois milhões de toneladas, se não chover regularmente nas regiões Sul e Centro-Oeste até o final do mês. A projeção é da agência Safras & Mercados, de Curitiba. Os técnicos acreditam que essa perda pode ser ampliada a cada dia sem chuvas nas regiões produtoras do Paraná e Rio Grande do Sul. No Centro-Oeste as chuvas começam a normalizar o plantio.
Com isso, a safra prevista anteriormente em 31,5 milhões de toneladas deverá cair para menos 30 milhões de toneladas ou menos que isso, prevê o analista Paulo Molinari.
Apesar de o Brasil ser o segundo maior produtor de soja, o mercado internacional está demorando para reagir, à espera da confirmação das projeções a respeito da estiagem. Na Bolsa de Chicago, as cotações permanecem em US$ 4,75 por bushell, com poucas alterações. Isso porque os Estados Unidos podem compensar a quebra na produção brasileira com o aumento de área plantada, justificou Molinari. Além disso, em ano de eleição nos EUA os produtores acabam sendo favorecidos com mais estímulos à produção.
A Argentina também aumentou a área plantada de soja em 15%, passando de 7,5 milhões de hectares plantados na safra passada para 8,5 milhões de hectares plantados esse ano. Segundo o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, técnico do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, os produtores argentinos aumentaram a área e ainda poderão colher bem, apesar de também terem sofrido com falta de chuvas durante o plantio.
Com a possibilidade de aumento de plantio nos EUA, até meados de 2000 não são esperados ganhos significativos nas cotações internacionais, apesar dos problemas climáticos que atingem o sul do Brasil, ‘‘salvo agravamento das perdas’’, salientou Hubner. Em função disso, as perspectivas de preço para a próxima safra de soja, que começa a ser colhida no mês que vem não são muito animadoras para os produtores. Segundo a agência Safras e Mercados já estão sendo fechados negócios em torno de US$ 10,40 a US$ 10,50 por saca no porto de Paranaguá.
Hubner, do Deral, prevê que a soja será cotada em média por US$ 8,5 a saca, quando intensificar a safra. ‘‘Qualquer coisa acima disso é lucro’’, afirmou. Apesar do preço baixo o técnico disse que ainda está acima do custo de produção que é de R$ 12,42 a saca, no caso de plantio direto, o que ainda permite uma rentabilidade ao produtor. Ele acredita que o produtor de soja pode começar a recuperar renda só a partir do segundo semestre e mesmo assim, para quem tem produção em escala com propriedade acima de 100 hectares plantados.
Milho A safra nacional de milho do ano agrícola 99/2000 também já apresenta quebras de produção em função da estiagem que atingiu as regiões produtoras no Rio Grande do Sul, Paraná, sul do Mato Grosso do Sul e Alta Sorocabana, em São Paulo.
O levantamento feito pela Safras e Mercados aponta uma queda na perspectiva de produção de 34,5 a 35 milhões de toneladas para 33,1 milhões de toneladas, uma redução de 7,4%. Com isso deverão ser necessárias importações da ordem de 2 milhões de toneladas para suprir o consumo, calculou Molinari.
O técnico destacou que o milho será a ‘‘grande vedete’’ na comercialização desse ano. No primeiro semestre, período de safra, as cotações deverão oscilar entre R$ 10,50 a R$ 11,50 a saca ao produtor e de R$ 12,00 a R$ 13,00 a saca no mercado, o que corresponde a um ótimo negócio para os produtores que conseguirem escapar da seca, salientou.